" Labirinto II " by Luis Royo

Terça-feira, Novembro 23, 2004
Com efeito, tal como a maioria das divindades egípcias, Hátor sabia mostrar-se cruel e devastadora. Tomemos como exemplo uma das lendas, que procura explicar as mudanças de estação, na qual, após uma feroz discussão com o seu pai, Hátor refugia-se no deserto, permitindo que as trevas invadissem a terra, uma vez que o Sol somente ocuparia o seu legítimo lugar, quando a deusa retornasse. A euforia rasga tão profundo pesar, quando, persuadida por seu pai, Hátor regressa, enfim, banindo a noite. Em torno desta personagem, tece-se ainda outra narrativa, notavelmente, violenta. Indignado por a humanidade lhe haver desobedecido, Rá toma a decisão de massacrá-la, enviando, para este fim, a sua filha, tornada num olho solar fulminante. Porém, ao contemplar a devastação que a sua filha causava, Rá compadece-se daqueles que lhe haviam desobedecido e toma a resolução de por fim a tão hediondo crime. Deste modo, convida a sua filha a sorver uma cerveja cor de sangue, que, além de a embriagar, lança-a num sono profundo. Ao despertar, a sua cólera insaciável havia-se desvanecido, pelo que os derradeiros sobreviventes da sua chacina permaneceram incólumes.
Em Dendera, ergueu-se, no templo ptolomaico, um imponente templo em sua honra, que a deusa deixava, anualmente, para, após uma prolixa viagem através do Nilo (em que o seu temperamento bravio era suavizado por músicas e bebidas) consumar o seu divino casamento com o deus- falcão Hórus, que a aguardava em Edfu (cidade situada a cerca de cento e sessenta quilômetros a montante do Nilo). Esta diligência mítica, que mantinha Háthor afastada da sua morada durante cerca de três semanas, era celebrada pelos egípcios com um festival alegre e faustoso. Procurando reproduzir o trajeto executado pela deusa, a solene procissão seguia então pelo rio, rasgando com uma barca ("A Bela de Amor") onde, detentora de uma fastígio inigualável, uma estátua de Háthor se elevava. Concomitantemente, os sacerdotes de Edfu preparam o encontro dos esposos, que ocorrerá no exterior do santuário, mais exatamente numa exígua capela localizada a norte da cidade. Este encontro deveria suceder num momento preciso, ou seja, à oitava hora do dia da lua nova do décimo primeiro mês do ano. Quando por fim Háthor abençoa Edfu com a sua magnífica presença e perfuma aos lábios de seu esposo com o incenso de um beijo, iniciam-se então as festividades, no decorrer das quais a deusa é aclamada, saudada e inebriada com a música docemente tocada em sua honra. Não era pois Háthor a "Dourada", a "Dama das Deusas", "A Senhora" e "A Senhora da embriagues, da música e das danças"?
Seguidamente, os esposos separam-se e ocupam as suas barcas, para que o cortejo possa dirigir-se para o santuário principal, onde os sacerdotes puxam as embarcações para fora de água e instalam-nas no recinto. Uma vez mais acompanhada por seu marido, Háthor saúda então seu pai, o Sol, que ao lado de Hórus velava por Edfu, como referem os inúmeros textos encontrados: "ela vai ao encontro de seu pai Ré, que exulta ao vê-la, pois é o seu olho que está de volta". Terminado este encontro, tão lendários esponsais são enfim celebrados, prometendo, entre suntuosos festejos, os dois deuses a divinas núpcias de luz. No dia seguinte, dá-se início a uma faustosa festa, que se demora pelos catorze dias do quarto crescente, num período de tempo marcado por um rol quase inefável de ritos, sacrifícios, visitas a santuários, celebrações, solenidades, entre outros eventos. Um grande banquete, no fim do qual dá-se a separação de Háthor e Hórus consagra o fim das festividades.
Tal como salienta Plutarco, o escritor grego, na escrita hieroglífica o nome de Háthor lê-se Hut - Hor, isto é, "a morada de Hórus" ou "a habitação cósmica de Hórus", sendo portanto flagrante que a deusa representa o espaço celeste no qual o Hórus solar se desloca.
Denominada "Senhora do Sicômoro", deusa das árvores, Hátor surge inúmeras vezes a amamentar os defuntos, especialmente, os faraós, mediante os longos ramos de um sicômoro. Háthor, como deusa benevolente, possuía a intensa devoção, não somente de nobres, mas também dos mais humildes, erigindo-se, deste modo, em seu redor um culto que se proliferou no Império Romano. Todavia, a crescente popularidade do culto, tecido em torno de Osíris e Ísis, levou a que este deidade passasse a deter algumas das funções de Háthor, acabando estas por fundir-se numa única divindade.
Em matéria de iconografia, a sua representação mais interessante é aquela que lhe permite surgir como soberana dos quatro cantos do céu e senhora dos pontos cardeais. Os quatro semblantes que a representam simbolizam cada um deles um determinado aspecto da sua personalidade, ou seja, Háthor- leoa, sublime olho dos astro solar, que os inimigos de seu pai, Rá, aniquila sem hesitar; Háthor - vaca, poderosa soberana do amor e do renascimento; Háthor - cobra, encarnação da beleza e juventude; e, por fim, Háthor- gata, eterna protetora dos lares e, claro, ama real.
Não lhes sendo possível distinguirem-se noutros planos profissionais, muitas mulheres tornavam-se sacerdotisas de Hátor (mais tarde designadas por "cantoras de Ámon",) uma vez que as atividades musicais que desempenhavam permitiram-lhes investir-se de funções honrosas. Por seu turno, fora dos cortejos religiosos, as bailarinas de Háthor, ostentando somente uma tanga curta, arredondada na frente, entretinham os convidados de um banquete.
Detalhes e vocabulário egípcio:
- O nome Háthor significa: "a casa de Hórus"
- Nebet-per: dona de casa
- Neferet: a bela
- Merout: amor
- Hensi irem: viver juntos
- Sen: beijar / "respirar um odor"
No Antigo Egito, os apaixonados seduziam as mulheres amadas com epítetos plenos de doçura, alguns deles ainda empregues na sociedade contemporânea, como é o caso de "gazela", "gatinho", "andorinha", "pomba", enquanto outros facilmente podem ser qualificados de impopulares e até perigosos para a integridade física do amante, como "meu hipopótamo", "minha hiena" ou "minha rã".
Na realidade, o amor era representado discretamente pelos artesãos encarregados de enaltecer os túmulos egípcios com a sua arte, surgindo este sentimento sob a forma de um tímido gesto, em que a mulher rodeia os ombros do seu marido com o braço ou se apóia nas suas costas (o oposto jamais acontece). De fato, o perfume era um dos mais conhecidos símbolos do amor, o que sustenta a filosofia de que os egípcios abdicavam da vulgaridade de uma manifestação direta, em prole de uma doce e sutil sugestão, com freqüência plena de sensualidade.
O teto da sala hipostila do templo de Háthor em Dendera enleva os seus visitantes com a visão de sublimes decorações contendo cenas de natureza astronômica, considerados por muitos como as mais originais jamais encontradas. Nele, o nosso olhar extasiado possui o privilégio de conhecer as horas do dia, da noite, os decanos, as regiões celestes, as décadas, os deuses dos pontos cardeais, as constelações, entre outros.
Ao observarmos o vão sul, somos maravilhados com uma cena, reproduzida não raras vezes em díspares pontos do santuário, que nos o corpo de Nut, a abóbada celeste, cujo corpo, banhado pelas ondas do oceano inferior, prolonga-se de uma extremidade à outra da sala. Os seus pés acariciam o este, enquanto que a sua cabeça repousa a oeste. Ao executar o seu trajeto cíclico, o deus solar encarna alternadamente os corpos diurnos e noturnos de Nut, iluminando a terra de dia, enquanto, por oposição, de noite a lança nas trevas, desaparecendo, tragado pela deusa, para ir iluminar as regiões subterrâneas. Outra imagem oferece-nos, assim, a ressurreição do Sol , que os seus mil raios derrama sobre o templo de Dendera, personificado pela cabeça de vaca de Háthor, colocada sobre um edifício.
Em Dendera, ergueu-se, no templo ptolomaico, um imponente templo em sua honra, que a deusa deixava, anualmente, para, após uma prolixa viagem através do Nilo (em que o seu temperamento bravio era suavizado por músicas e bebidas) consumar o seu divino casamento com o deus- falcão Hórus, que a aguardava em Edfu (cidade situada a cerca de cento e sessenta quilômetros a montante do Nilo). Esta diligência mítica, que mantinha Háthor afastada da sua morada durante cerca de três semanas, era celebrada pelos egípcios com um festival alegre e faustoso. Procurando reproduzir o trajeto executado pela deusa, a solene procissão seguia então pelo rio, rasgando com uma barca ("A Bela de Amor") onde, detentora de uma fastígio inigualável, uma estátua de Háthor se elevava. Concomitantemente, os sacerdotes de Edfu preparam o encontro dos esposos, que ocorrerá no exterior do santuário, mais exatamente numa exígua capela localizada a norte da cidade. Este encontro deveria suceder num momento preciso, ou seja, à oitava hora do dia da lua nova do décimo primeiro mês do ano. Quando por fim Háthor abençoa Edfu com a sua magnífica presença e perfuma aos lábios de seu esposo com o incenso de um beijo, iniciam-se então as festividades, no decorrer das quais a deusa é aclamada, saudada e inebriada com a música docemente tocada em sua honra. Não era pois Háthor a "Dourada", a "Dama das Deusas", "A Senhora" e "A Senhora da embriagues, da música e das danças"?
Seguidamente, os esposos separam-se e ocupam as suas barcas, para que o cortejo possa dirigir-se para o santuário principal, onde os sacerdotes puxam as embarcações para fora de água e instalam-nas no recinto. Uma vez mais acompanhada por seu marido, Háthor saúda então seu pai, o Sol, que ao lado de Hórus velava por Edfu, como referem os inúmeros textos encontrados: "ela vai ao encontro de seu pai Ré, que exulta ao vê-la, pois é o seu olho que está de volta". Terminado este encontro, tão lendários esponsais são enfim celebrados, prometendo, entre suntuosos festejos, os dois deuses a divinas núpcias de luz. No dia seguinte, dá-se início a uma faustosa festa, que se demora pelos catorze dias do quarto crescente, num período de tempo marcado por um rol quase inefável de ritos, sacrifícios, visitas a santuários, celebrações, solenidades, entre outros eventos. Um grande banquete, no fim do qual dá-se a separação de Háthor e Hórus consagra o fim das festividades.
Tal como salienta Plutarco, o escritor grego, na escrita hieroglífica o nome de Háthor lê-se Hut - Hor, isto é, "a morada de Hórus" ou "a habitação cósmica de Hórus", sendo portanto flagrante que a deusa representa o espaço celeste no qual o Hórus solar se desloca.
Denominada "Senhora do Sicômoro", deusa das árvores, Hátor surge inúmeras vezes a amamentar os defuntos, especialmente, os faraós, mediante os longos ramos de um sicômoro. Háthor, como deusa benevolente, possuía a intensa devoção, não somente de nobres, mas também dos mais humildes, erigindo-se, deste modo, em seu redor um culto que se proliferou no Império Romano. Todavia, a crescente popularidade do culto, tecido em torno de Osíris e Ísis, levou a que este deidade passasse a deter algumas das funções de Háthor, acabando estas por fundir-se numa única divindade.
Em matéria de iconografia, a sua representação mais interessante é aquela que lhe permite surgir como soberana dos quatro cantos do céu e senhora dos pontos cardeais. Os quatro semblantes que a representam simbolizam cada um deles um determinado aspecto da sua personalidade, ou seja, Háthor- leoa, sublime olho dos astro solar, que os inimigos de seu pai, Rá, aniquila sem hesitar; Háthor - vaca, poderosa soberana do amor e do renascimento; Háthor - cobra, encarnação da beleza e juventude; e, por fim, Háthor- gata, eterna protetora dos lares e, claro, ama real.
Não lhes sendo possível distinguirem-se noutros planos profissionais, muitas mulheres tornavam-se sacerdotisas de Hátor (mais tarde designadas por "cantoras de Ámon",) uma vez que as atividades musicais que desempenhavam permitiram-lhes investir-se de funções honrosas. Por seu turno, fora dos cortejos religiosos, as bailarinas de Háthor, ostentando somente uma tanga curta, arredondada na frente, entretinham os convidados de um banquete.
Detalhes e vocabulário egípcio:
- O nome Háthor significa: "a casa de Hórus"
- Nebet-per: dona de casa
- Neferet: a bela
- Merout: amor
- Hensi irem: viver juntos
- Sen: beijar / "respirar um odor"
No Antigo Egito, os apaixonados seduziam as mulheres amadas com epítetos plenos de doçura, alguns deles ainda empregues na sociedade contemporânea, como é o caso de "gazela", "gatinho", "andorinha", "pomba", enquanto outros facilmente podem ser qualificados de impopulares e até perigosos para a integridade física do amante, como "meu hipopótamo", "minha hiena" ou "minha rã".
Na realidade, o amor era representado discretamente pelos artesãos encarregados de enaltecer os túmulos egípcios com a sua arte, surgindo este sentimento sob a forma de um tímido gesto, em que a mulher rodeia os ombros do seu marido com o braço ou se apóia nas suas costas (o oposto jamais acontece). De fato, o perfume era um dos mais conhecidos símbolos do amor, o que sustenta a filosofia de que os egípcios abdicavam da vulgaridade de uma manifestação direta, em prole de uma doce e sutil sugestão, com freqüência plena de sensualidade.
O teto da sala hipostila do templo de Háthor em Dendera enleva os seus visitantes com a visão de sublimes decorações contendo cenas de natureza astronômica, considerados por muitos como as mais originais jamais encontradas. Nele, o nosso olhar extasiado possui o privilégio de conhecer as horas do dia, da noite, os decanos, as regiões celestes, as décadas, os deuses dos pontos cardeais, as constelações, entre outros.
Ao observarmos o vão sul, somos maravilhados com uma cena, reproduzida não raras vezes em díspares pontos do santuário, que nos o corpo de Nut, a abóbada celeste, cujo corpo, banhado pelas ondas do oceano inferior, prolonga-se de uma extremidade à outra da sala. Os seus pés acariciam o este, enquanto que a sua cabeça repousa a oeste. Ao executar o seu trajeto cíclico, o deus solar encarna alternadamente os corpos diurnos e noturnos de Nut, iluminando a terra de dia, enquanto, por oposição, de noite a lança nas trevas, desaparecendo, tragado pela deusa, para ir iluminar as regiões subterrâneas. Outra imagem oferece-nos, assim, a ressurreição do Sol , que os seus mil raios derrama sobre o templo de Dendera, personificado pela cabeça de vaca de Háthor, colocada sobre um edifício.
++Ivana -
10:31 PM
Segunda-feira, Novembro 22, 2004
HÁTHOR
Amor... Rutilante véu de estrelas que veste de luz o corpo de pérolas negras da noite da humanidade... Rosa de fogo, orvalhada por uma poesia em chamas, despontando nos jardins do horizonte, para almas vagantes inebriar com o perfume de um imortal Sol de felicidade... Cálice de sonhos e feitiços derramado sobre os corações dos Antigos Egípcios pela sensual Háthor, soberana de um éden de felicidade perene, em cujo esplendor brotava o cobiçado fruto do amor, nascia a maviosa nascente da música, em cujas águas vogava a sensualidade das danças, desabrochavam as orquídeas selvagens do erotismo e brincava a doce brisa da alegria. Sua alma, cosmos de amores constelados, renovava-se nos semblantes de todas as apaixonadas que devotadamente a inundavam de preces ardentes, na esperança de escravizarem o coração dos seus amados e, por conseguinte, alcançarem "a felicidade e um bom marido".
Venerada em Dendera por nas suas mãos divinas florescer o amor, a bela deusa, filha de Rá, inúmeras vezes representada sob a forma de uma vaca, desempenhava, tal como sucedia a um rol imensurável de outros deuses, díspares papéis, em diferentes zonas do Egito. Podemos afirmar que as suas origens remontam a uma época longínqua da história, já que a deusa consta do documento egípcio mais antigo conhecido até ao momento: a "Paleta de Narmer", cuja leitura nos permite conhecer a unificação do Egito por Narmer, primeiro faraó da I Dinastia, acontecimento que constitui a inauguração da instituição faraônica. Ambas as faces deste documentos estão ornadas com cabeças de vaca que, tal como referido anteriormente, simbolizam a deusa Háthor. No Delta, é associada ao céu, sustendo o disco-solar em sua cabeça, enquanto, em Tebas, surgia como uma deusa da morte. Enquanto protetora da necrópole tebana, Háthor é representada como uma vaca emergindo de uma montanha escarpada que simboliza a falésia onde estão escavados os túmulos. Aqueles que se aproximavam da morte, suplicavam, assim, pela sua proteção, ao longo das suas viagens até ao além.
Amor... Rutilante véu de estrelas que veste de luz o corpo de pérolas negras da noite da humanidade... Rosa de fogo, orvalhada por uma poesia em chamas, despontando nos jardins do horizonte, para almas vagantes inebriar com o perfume de um imortal Sol de felicidade... Cálice de sonhos e feitiços derramado sobre os corações dos Antigos Egípcios pela sensual Háthor, soberana de um éden de felicidade perene, em cujo esplendor brotava o cobiçado fruto do amor, nascia a maviosa nascente da música, em cujas águas vogava a sensualidade das danças, desabrochavam as orquídeas selvagens do erotismo e brincava a doce brisa da alegria. Sua alma, cosmos de amores constelados, renovava-se nos semblantes de todas as apaixonadas que devotadamente a inundavam de preces ardentes, na esperança de escravizarem o coração dos seus amados e, por conseguinte, alcançarem "a felicidade e um bom marido".
Venerada em Dendera por nas suas mãos divinas florescer o amor, a bela deusa, filha de Rá, inúmeras vezes representada sob a forma de uma vaca, desempenhava, tal como sucedia a um rol imensurável de outros deuses, díspares papéis, em diferentes zonas do Egito. Podemos afirmar que as suas origens remontam a uma época longínqua da história, já que a deusa consta do documento egípcio mais antigo conhecido até ao momento: a "Paleta de Narmer", cuja leitura nos permite conhecer a unificação do Egito por Narmer, primeiro faraó da I Dinastia, acontecimento que constitui a inauguração da instituição faraônica. Ambas as faces deste documentos estão ornadas com cabeças de vaca que, tal como referido anteriormente, simbolizam a deusa Háthor. No Delta, é associada ao céu, sustendo o disco-solar em sua cabeça, enquanto, em Tebas, surgia como uma deusa da morte. Enquanto protetora da necrópole tebana, Háthor é representada como uma vaca emergindo de uma montanha escarpada que simboliza a falésia onde estão escavados os túmulos. Aqueles que se aproximavam da morte, suplicavam, assim, pela sua proteção, ao longo das suas viagens até ao além.
++Ivana -
11:44 PM
Em ambas as histórias, o Olho de Hórus, sempre representado no singular, torna-se mais poderoso, no limiar da perfeição, devido ao processo curativo, ao qual foi sujeito. Por esta razão, o Olho de Hórus ou Olho de Wadjet surge na mitologia egípcia como um símbolo da vitória do bem contra o mal, que tomou a forma de um amuleto protetor. A crença egípcia refere igualmente que, em memória desta disputa feroz, a lua surge, constantemente, fragmentada, tal como se encontrava, antes que Hórus fosse sarado. Determinadas versões desta lenda debruçam-se sobre outro episódio de tão desnorteante conflito, em que Seth conjura novamente contra a integridade física de Hórus, através de um aparentemente inocente convite para o visitar em sua morada. A narrativa revela que, culminado o jantar, Seth procura desonrar Hórus, que, embora precavido, é incapaz de impedir que um gota de esperma do seu rival tombe em suas mãos. Desesperado, o deus vai então ao encontro de sua mãe, a fim de suplicar-lhe que o socorra. Partilhando do horror que inundava Hórus, Ísis decepou as mãos do filho, para arremessá-las de seguida à água, onde graças à magia suprema da deus, elas desaparecem no lodo. Todavia, esta situação torna-se insustentável para Hórus, que toma então a resolução de recorrer ao auxílio do Senhor Universal, cuja extrema bonomia o leva a compreender o sofrimento do deus- falcão e, por conseguinte, a ordenar ao deus- crocodilo Sobek, que resgatasse as mãos perdidas. Embora tal diligência haja sido coroada de êxito, Hórus depara-se com mais um imprevisto: as suas mãos tinham sido abençoadas por uma curiosa autonomia, encarnado dois dos filhos do deus- falcão.
Novamente evocado, Sobek é incumbido da tarefa de capturar as mãos que teimavam em desaparecer e levá-las até junto do Senhor Universal, que, para evitar o caos de mais uma querela, toma a resolução de duplicá-las. O primeiro par é oferecido à cidade de Nekhen, sob a forma de uma relíquia, enquanto que o segundo é restituído a Hórus. Este prolixo e verdadeiramente selvático conflito foi enfim solucionado quando Toth persuadiu Rá a dirigir uma encomiástica missiva a Osíris, entregando-lhe um incontestável e completo título de realeza, que o obrigou a deixar o seu reino e confrontar o seu assassino. Assim, os dois deuses soberanos evocaram os seus poderes rivais e lançaram-se numa disputa ardente pelo trono do Egito. Após um re-encontro infrutífero, Ra propôs então que ambos revelassem aquilo que tinham para oferecer à terra, de forma a que os deuses pudessem avaliar as suas aptidões para governar. Sem hesitar, Osíris alimentou os deuses com trigo e cevada, enquanto que Seth limitou-se a executar uma demonstração de força. Quando conquistou o apoio de Ra, Osíris persuadiu então os restantes deuses dos poderes inerentes à sua posição, ao recordar que todos percorriam o horizonte ocidental, alcançando o seu reino, no culminar dos seus caminhos. Deste modo, os deuses admitiram que, com efeito, deveria ser Hórus a ocupar o trono do Egito, como herdeiro do seu pai. Por conseguinte, e volvidos cerca de oito anos de altercações e re-encontros ferozes, foi concedida finalmente ao deus- falcão a tão cobiçada herança, o que lhe valeu o título de Hor-paneb-taui ou Horsamtaui/Horsomtus, ou seja, "Hórus, senhor das Duas Terras".
Como compensação, Rá concedeu a Seth um lugar no céu, onde este poderia desfrutar da sua posição de deus das tempestades e trovões, que o permitia atormentar os demais. Este mito parece sintetizar e representar os antagonismos políticos vividos na era pré-dinástica, surgindo Hórus como deidade tutelar do Baixo Egito e Seth, seu oponente, como protetor do Alto Egito, numa clara disputa pela supremacia política no território egípcio. Este re-encontro possui igualmente uma certa analogia com o paradoxo suscitado pelo combate das trevas com a luz, do dia com a noite, em suma, de todas as entidades antagônicas que encarnam a típica luta do bem contra o mal. A mitologia referente a este deus difere consoante as regiões e períodos de tempo. Porém, regra geral, Hórus surge como esposo de Háthor, deusa do amor, que lhe ofereceu dois filhos: Ihi, deus da música e Horsamtui, "Unificador das Duas Terras". Todavia, e tal como referido anteriormente, Hórus foi imortalizado através de diferentes representações, surgindo por vezes sob uma forma solar, enquanto filho de Aton- Rá ou Geb e Nut ou apresentado pela lenda osírica, como fruto dos amores entre Osíris e Ísis, abraçando assim diversas correntes mitológicas, que se fundem, renovam e completam em sua identidade. É dos muitos vetores em que o culto solar e o culto osírico, os mais relevantes do Antigo Egito, se complementam num oásis de Sol, pátria de lendas de luz, em cujas águas de ouro voga toda a magia de uma das mais enigmáticas civilizações da Antiguidade.
Detalhes e vocabulário egípcio:
- O culto de Hórus centralizava-se na cidade de Edfu, onde particularmente no período ptolomaico saboreou uma estrondosa popularidade;
- O culto do deus falcão dispersou-se em inúmeros sub-cultos, o que criou lendas controversas e inúmeras versões do popular deus, como a denominada Rá-Harakhty;
- As estelas (pedras com imagens) de Hórus consideravam-se curativas de mordeduras de serpentes e picadas de escorpião, comuns nestas regiões, dado representarem o deus na sua infância vencendo os crocodilos e os escorpiões e estrangulando as serpentes. Sorver a água que qualquer devotado lhe houvesse deixado sobre a cabeça, significava a obtenção da proteção que Ísis proporcionava ao filho. Nestas estelas surgia, freqüentemente, o deus Bes, que deita a língua de fora aos maus espíritos. Os feitiços cobrem os lados externos das estelas. Encontramos nelas uma poderosa proteção, como salienta a famigerada Estela de Mettenich: "Sobe veneno, vem e cai por terra. Hórus fala-te, aniquila-te, esmaga-te; tu não te levantas, tu cais, tu és fraco, tu não és forte; tu és cego, tu não vês; a tua cabeça cai para baixo e não se levanta mais, pois eu sou Hórus, o grande Mágico.".
- Out- embalsamadores
- Vabet- lugar de purificação
Novamente evocado, Sobek é incumbido da tarefa de capturar as mãos que teimavam em desaparecer e levá-las até junto do Senhor Universal, que, para evitar o caos de mais uma querela, toma a resolução de duplicá-las. O primeiro par é oferecido à cidade de Nekhen, sob a forma de uma relíquia, enquanto que o segundo é restituído a Hórus. Este prolixo e verdadeiramente selvático conflito foi enfim solucionado quando Toth persuadiu Rá a dirigir uma encomiástica missiva a Osíris, entregando-lhe um incontestável e completo título de realeza, que o obrigou a deixar o seu reino e confrontar o seu assassino. Assim, os dois deuses soberanos evocaram os seus poderes rivais e lançaram-se numa disputa ardente pelo trono do Egito. Após um re-encontro infrutífero, Ra propôs então que ambos revelassem aquilo que tinham para oferecer à terra, de forma a que os deuses pudessem avaliar as suas aptidões para governar. Sem hesitar, Osíris alimentou os deuses com trigo e cevada, enquanto que Seth limitou-se a executar uma demonstração de força. Quando conquistou o apoio de Ra, Osíris persuadiu então os restantes deuses dos poderes inerentes à sua posição, ao recordar que todos percorriam o horizonte ocidental, alcançando o seu reino, no culminar dos seus caminhos. Deste modo, os deuses admitiram que, com efeito, deveria ser Hórus a ocupar o trono do Egito, como herdeiro do seu pai. Por conseguinte, e volvidos cerca de oito anos de altercações e re-encontros ferozes, foi concedida finalmente ao deus- falcão a tão cobiçada herança, o que lhe valeu o título de Hor-paneb-taui ou Horsamtaui/Horsomtus, ou seja, "Hórus, senhor das Duas Terras".
Como compensação, Rá concedeu a Seth um lugar no céu, onde este poderia desfrutar da sua posição de deus das tempestades e trovões, que o permitia atormentar os demais. Este mito parece sintetizar e representar os antagonismos políticos vividos na era pré-dinástica, surgindo Hórus como deidade tutelar do Baixo Egito e Seth, seu oponente, como protetor do Alto Egito, numa clara disputa pela supremacia política no território egípcio. Este re-encontro possui igualmente uma certa analogia com o paradoxo suscitado pelo combate das trevas com a luz, do dia com a noite, em suma, de todas as entidades antagônicas que encarnam a típica luta do bem contra o mal. A mitologia referente a este deus difere consoante as regiões e períodos de tempo. Porém, regra geral, Hórus surge como esposo de Háthor, deusa do amor, que lhe ofereceu dois filhos: Ihi, deus da música e Horsamtui, "Unificador das Duas Terras". Todavia, e tal como referido anteriormente, Hórus foi imortalizado através de diferentes representações, surgindo por vezes sob uma forma solar, enquanto filho de Aton- Rá ou Geb e Nut ou apresentado pela lenda osírica, como fruto dos amores entre Osíris e Ísis, abraçando assim diversas correntes mitológicas, que se fundem, renovam e completam em sua identidade. É dos muitos vetores em que o culto solar e o culto osírico, os mais relevantes do Antigo Egito, se complementam num oásis de Sol, pátria de lendas de luz, em cujas águas de ouro voga toda a magia de uma das mais enigmáticas civilizações da Antiguidade.
Detalhes e vocabulário egípcio:
- O culto de Hórus centralizava-se na cidade de Edfu, onde particularmente no período ptolomaico saboreou uma estrondosa popularidade;
- O culto do deus falcão dispersou-se em inúmeros sub-cultos, o que criou lendas controversas e inúmeras versões do popular deus, como a denominada Rá-Harakhty;
- As estelas (pedras com imagens) de Hórus consideravam-se curativas de mordeduras de serpentes e picadas de escorpião, comuns nestas regiões, dado representarem o deus na sua infância vencendo os crocodilos e os escorpiões e estrangulando as serpentes. Sorver a água que qualquer devotado lhe houvesse deixado sobre a cabeça, significava a obtenção da proteção que Ísis proporcionava ao filho. Nestas estelas surgia, freqüentemente, o deus Bes, que deita a língua de fora aos maus espíritos. Os feitiços cobrem os lados externos das estelas. Encontramos nelas uma poderosa proteção, como salienta a famigerada Estela de Mettenich: "Sobe veneno, vem e cai por terra. Hórus fala-te, aniquila-te, esmaga-te; tu não te levantas, tu cais, tu és fraco, tu não és forte; tu és cego, tu não vês; a tua cabeça cai para baixo e não se levanta mais, pois eu sou Hórus, o grande Mágico.".
- Out- embalsamadores
- Vabet- lugar de purificação
++Ivana -
1:09 PM
Quinta-feira, Novembro 18, 2004
Quando o sofrimento já quase a fazia transpor o limiar da loucura, Ísis vislumbrou diante de si uma mulher popular pelos seus dons de magia, que prontamente examinou o seu filho, proclamando Horus alheio ao mal que o atormentava. Na realidade, Hórus ( ou Harpócrates, Horpakhered- "Hórus menino/ criança") havia sido simplesmente vítima da picada de um escorpião ou de uma serpente. Angustiada, Ísis verificou então a veracidade das suas palavras, decidindo-se, de imediato, e evocar as deusas Néftis e Selkis (a deusa- escorpião), que prontamente acorreram ao local da tragédia, aconselhando-a a rogar a Rá que suspendesse o seu percurso usual até que Hórus convalescesse integralmente. Compadecido com as suplicas de uma mãe, o deus solar ordenou assim a Toth que salvasse a criança. Quando finalmente se viu diante de Hórus e Ísis, Toth declarou então: " Nada temas, Ísis! Venho até ti, armado do sopro vital que curará a criança. Coragem, Hórus! Aquele que habita o disco solar protege-te e a proteção de que gozas é eterna. Veneno, ordeno-te que saias! Rá, o deus supremo, far-te-á desaparecer. A sua barca ficara parada e só prosseguirá o seu curso quando o doente estiver curado. Os poços secarão, as colheitas morrerão, os homens ficarão privados de pão enquanto Hórus não tiver recuperado as suas forças para ventura da sua mãe Ísis. Coragem, Hórus. O veneno está morto, você o venceu."
Após haver banido, com a sua magia divina, o letal veneno que estava prestes a oferecer Hórus à morte, a excelsa feiticeira solicitou então aos habitantes de Khemis que velassem pela criança, sempre que a sua mãe tivesse necessidade de se ausentar. Muitos outros sortilégios se abateram sobre Hórus no decorrer da sua infância (males intestinais, febres inexplicáveis, mutilações), apenas para serem vencidos logo de seguida pelo poder da magia detida pelas sublimes deidades do panteão egípcio. No limiar da maturidade, Hórus, protegido até então por sua mãe, Ísis, tomou a resolução de vingar o assassinato de seu pai, reivindicando o seu legítimo direito ao trono do Egito, usurpado por Seth. Ao convocar o tribunal dos deuses, presidido por Rá, Hórus afirmou o seu desejo de que seu tio deixasse, definitivamente, a regência do país, encontrando, ao ultimar os seus argumentos, o apoio de Toth, deus da sabedoria, e de Shu, deus do ar. Todavia, Ra contestou-os, veementemente, alegando que a força devastadora de Seth, talvez lhe concedesse melhores aptidões para reinar, uma vez que somente ele fora capaz de dominar o caos, sob a forma da serpente Apópis, que invadia, durante a noite, a barca do deus- sol, com o fito de extinguir, para toda a eternidade, a luz do dia. Ultimada uma querela verbal, que cada vez mais os apartava de um consenso, iniciou-se então uma prolixa e feroz disputa pelo poder, que opôs em confrontos selváticos, Hórus a seu tio. Após um infrutífero rol de encontros quase soçobrados na barbárie, Seth sugeriu que ele próprio e o seu adversário tomassem a forma de hipopótamos, com o fito de verificar qual dos dois resistiria mais tempo, mantendo-se submergidos dentro de água.
Passado algum tempo, Ísis foi incapaz de refrear a sua apreensão e criou um arpão, que lançou no local, onde ambos haviam desaparecido. Porém, ao golpear Seth, este apelou aos laços de fraternidade que os uniam, coagindo Ísis a sará-lo, logo em seguida. A sua intervenção enfureceu Hórus, que emergiu das águas, a fim de decapitar a sua mãe e, ato contíguo, levá-la consigo para as montanhas do deserto. Ao tomar conhecimento de tão hediondo ato, Rá, irado, vociferou que Hórus deveria ser encontrado e punido severamente. Prontamente, Seth voluntariou-se para capturá-lo. As suas buscas foram rapidamente coroadas de êxito, uma vez que este prontamente se deparou com Hórus, que jazia, adormecido, junto a um oásis. Dominado pelo seu temperamento cruel, Seth arrancou ambos os olhos de Hórus, para enterrá-los algures, desconhecendo que estes floresceriam em botões de lótus. Após tão ignóbil crime, Seth reuniu-se a Rá, declarando não ter sido bem sucedido na sua procura, pelo que Hórus foi então considerado morto. Porém, a deusa Hátor encontrou o jovem deus, sarando-lhe, miraculosamente, os olhos, ao friccioná-los com o leite de uma gazela. Outra versão, nos mostra um novo quadro, em que Seth furta apenas o olho esquerdo de Hórus, representante da lua. Contudo, nessa narrativa o deus-falcão, possuidor, em seus olhos, do Sol e da lua, é igualmente curado.
Após haver banido, com a sua magia divina, o letal veneno que estava prestes a oferecer Hórus à morte, a excelsa feiticeira solicitou então aos habitantes de Khemis que velassem pela criança, sempre que a sua mãe tivesse necessidade de se ausentar. Muitos outros sortilégios se abateram sobre Hórus no decorrer da sua infância (males intestinais, febres inexplicáveis, mutilações), apenas para serem vencidos logo de seguida pelo poder da magia detida pelas sublimes deidades do panteão egípcio. No limiar da maturidade, Hórus, protegido até então por sua mãe, Ísis, tomou a resolução de vingar o assassinato de seu pai, reivindicando o seu legítimo direito ao trono do Egito, usurpado por Seth. Ao convocar o tribunal dos deuses, presidido por Rá, Hórus afirmou o seu desejo de que seu tio deixasse, definitivamente, a regência do país, encontrando, ao ultimar os seus argumentos, o apoio de Toth, deus da sabedoria, e de Shu, deus do ar. Todavia, Ra contestou-os, veementemente, alegando que a força devastadora de Seth, talvez lhe concedesse melhores aptidões para reinar, uma vez que somente ele fora capaz de dominar o caos, sob a forma da serpente Apópis, que invadia, durante a noite, a barca do deus- sol, com o fito de extinguir, para toda a eternidade, a luz do dia. Ultimada uma querela verbal, que cada vez mais os apartava de um consenso, iniciou-se então uma prolixa e feroz disputa pelo poder, que opôs em confrontos selváticos, Hórus a seu tio. Após um infrutífero rol de encontros quase soçobrados na barbárie, Seth sugeriu que ele próprio e o seu adversário tomassem a forma de hipopótamos, com o fito de verificar qual dos dois resistiria mais tempo, mantendo-se submergidos dentro de água.
Passado algum tempo, Ísis foi incapaz de refrear a sua apreensão e criou um arpão, que lançou no local, onde ambos haviam desaparecido. Porém, ao golpear Seth, este apelou aos laços de fraternidade que os uniam, coagindo Ísis a sará-lo, logo em seguida. A sua intervenção enfureceu Hórus, que emergiu das águas, a fim de decapitar a sua mãe e, ato contíguo, levá-la consigo para as montanhas do deserto. Ao tomar conhecimento de tão hediondo ato, Rá, irado, vociferou que Hórus deveria ser encontrado e punido severamente. Prontamente, Seth voluntariou-se para capturá-lo. As suas buscas foram rapidamente coroadas de êxito, uma vez que este prontamente se deparou com Hórus, que jazia, adormecido, junto a um oásis. Dominado pelo seu temperamento cruel, Seth arrancou ambos os olhos de Hórus, para enterrá-los algures, desconhecendo que estes floresceriam em botões de lótus. Após tão ignóbil crime, Seth reuniu-se a Rá, declarando não ter sido bem sucedido na sua procura, pelo que Hórus foi então considerado morto. Porém, a deusa Hátor encontrou o jovem deus, sarando-lhe, miraculosamente, os olhos, ao friccioná-los com o leite de uma gazela. Outra versão, nos mostra um novo quadro, em que Seth furta apenas o olho esquerdo de Hórus, representante da lua. Contudo, nessa narrativa o deus-falcão, possuidor, em seus olhos, do Sol e da lua, é igualmente curado.
++Ivana -
2:22 AM
Quarta-feira, Novembro 17, 2004
HÓRUS
Hórus, mítico soberano do Egito, desdobra as suas divinas asas de falcão sob a cabeça dos faraós, não somente meros protegidos, mas, na realidade, a própria encarnação do deus do céu. Pois não era ele o deus protetor da monarquia faraônica, do Egito unido sob um só faraó, regente do Alto e do Baixo Egito? Com efeito, desde o florescer da época história, que o faraó proclamava que neste deus refulgia o seu ka (poder vital), na ânsia de legitimar a sua soberania, não sendo pois inusitado que, a cerca de 3000 a. C., o primeiro dos cinco nomes da titularia real fosse exatamente "o nome de Hórus". No panteão egípcio, diversas são as deidades que se manifestam sob a forma de um falcão. Hórus, detentor de uma personalidade complexa e intrincada, surge como a mais célebre de todas elas. Mas quem era este deus, em cujas asas se reinventava o poder criador dos faraós? Antes de mais, Hórus representa um deus celeste, regente dos céus e dos astros neles semeados, cuja identidade é produto de uma longa evolução, no decorrer da qual Hórus assimila as personalidades de múltiplas divindades.
Originalmente, Hórus era um deus local de Sam- Behet (Tell el- Balahun) no Delta, Baixo Egito. O seu nome, Hor, pode traduzir-se como "O Elevado", "O Afastado", ou "O Longínquo". Todavia, o decorrer dos anos facultou a extensão do seu culto, pelo que num ápice o deus tornou-se patrono de diversas províncias do Alto e do Baixo Egito, acabando mesmo por usurpar a identidade e o poder das deidades locais, como, por exemplo, Sopedu (em zonas orientais do Delta) e Khentekthai (no Delta Central). Finalmente, integra a cosmogonia de Heliópolis enquanto filho de Ísis e Osíris, englobando díspares divindades cuja ligação remonta a este parentesco. O Hórus do mito osírico surge como um homem com cabeça de falcão que, à semelhança de seu pai, ostenta a coroa do Alto e do Baixo Egito. É igualmente como membro desta tríade que Hórus saboreia o expoente máximo da sua popularidade, sendo venerado em todos os locais onde se prestava culto aos seus pais. A Lenda de Osíris revela-nos que, após a celestial concepção de Hórus, benção da magia que facultou a Ísis o apanágio de fundir-se a seu marido defunto em núpcias divinas, a deusa, receando represálias por parte de Seth, evoca a proteção de Rá- Atum, na esperança de salvaguardar a vida que florescia dentro de si.
Receptivo às preces de Ísis, o deus solar velou por ela até ao tão esperado nascimento. Quando este sucedeu, a voz de Hórus inebriou então os céus: " Eu sou Hórus, o grande falcão. O meu lugar está longe do de Seth, inimigo de meu pai Osíris. Atingi os caminhos da eternidade e da luz. Levanto vôo graças ao meu impulso. Nenhum deus pode realizar aquilo que eu realizei. Em breve partirei em guerra contra o inimigo de meu pai Osíris, calcá-lo-ei sob as minhas sandálias com o nome de Furioso... Porque eu sou Hórus, cujo lugar está longe dos deuses e dos homens. Sou Hórus, o filho de Ísis." Temendo que Seth abraçasse a resolução de atentar contra a vida de seu filho recém- nascido, Ísis refugiou-se então na ilha flutuante de Khemis, nos pântanos perto de Buto, circunstância que concedeu a Hórus o epíteto de Hor- heri- uadj, ou seja, "Hórus que está sobre a sua planta de papiro". Embora a natureza inóspita desta região lhe oferecesse a tão desejada segurança, visto que Seth jamais se aventuraria por uma região tão desértica, a mesma comprometia, concomitantemente, a sua subsistência, dada a flagrante escassez de alimentos característica daquele local. Para assegurar a sua sobrevivência e a de seu filho, Ísis vê-se obrigada a mendigar, pelo que, todas as madrugadas, oculta Hórus entre os papiros e erra pelos campos, disfarçada de mendiga, na ânsia de obter o tão necessário alimento. Uma noite, ao regressar para junto de Hórus, depara-se com um quadro verdadeiramente aterrador: o seu filho jazia, inanimado, no local onde ela o abandonara. Desesperada, Ísis procura restituir-lhe o sopro da vida, porém a criança encontrava-se demasiadamente débil para alimentar-se com o leite materno. Sem hesitar, a deusa suplica o auxílio dos aldeões, que todavia se relevam impotentes para a socorrer.
Originalmente, Hórus era um deus local de Sam- Behet (Tell el- Balahun) no Delta, Baixo Egito. O seu nome, Hor, pode traduzir-se como "O Elevado", "O Afastado", ou "O Longínquo". Todavia, o decorrer dos anos facultou a extensão do seu culto, pelo que num ápice o deus tornou-se patrono de diversas províncias do Alto e do Baixo Egito, acabando mesmo por usurpar a identidade e o poder das deidades locais, como, por exemplo, Sopedu (em zonas orientais do Delta) e Khentekthai (no Delta Central). Finalmente, integra a cosmogonia de Heliópolis enquanto filho de Ísis e Osíris, englobando díspares divindades cuja ligação remonta a este parentesco. O Hórus do mito osírico surge como um homem com cabeça de falcão que, à semelhança de seu pai, ostenta a coroa do Alto e do Baixo Egito. É igualmente como membro desta tríade que Hórus saboreia o expoente máximo da sua popularidade, sendo venerado em todos os locais onde se prestava culto aos seus pais. A Lenda de Osíris revela-nos que, após a celestial concepção de Hórus, benção da magia que facultou a Ísis o apanágio de fundir-se a seu marido defunto em núpcias divinas, a deusa, receando represálias por parte de Seth, evoca a proteção de Rá- Atum, na esperança de salvaguardar a vida que florescia dentro de si.
Receptivo às preces de Ísis, o deus solar velou por ela até ao tão esperado nascimento. Quando este sucedeu, a voz de Hórus inebriou então os céus: " Eu sou Hórus, o grande falcão. O meu lugar está longe do de Seth, inimigo de meu pai Osíris. Atingi os caminhos da eternidade e da luz. Levanto vôo graças ao meu impulso. Nenhum deus pode realizar aquilo que eu realizei. Em breve partirei em guerra contra o inimigo de meu pai Osíris, calcá-lo-ei sob as minhas sandálias com o nome de Furioso... Porque eu sou Hórus, cujo lugar está longe dos deuses e dos homens. Sou Hórus, o filho de Ísis." Temendo que Seth abraçasse a resolução de atentar contra a vida de seu filho recém- nascido, Ísis refugiou-se então na ilha flutuante de Khemis, nos pântanos perto de Buto, circunstância que concedeu a Hórus o epíteto de Hor- heri- uadj, ou seja, "Hórus que está sobre a sua planta de papiro". Embora a natureza inóspita desta região lhe oferecesse a tão desejada segurança, visto que Seth jamais se aventuraria por uma região tão desértica, a mesma comprometia, concomitantemente, a sua subsistência, dada a flagrante escassez de alimentos característica daquele local. Para assegurar a sua sobrevivência e a de seu filho, Ísis vê-se obrigada a mendigar, pelo que, todas as madrugadas, oculta Hórus entre os papiros e erra pelos campos, disfarçada de mendiga, na ânsia de obter o tão necessário alimento. Uma noite, ao regressar para junto de Hórus, depara-se com um quadro verdadeiramente aterrador: o seu filho jazia, inanimado, no local onde ela o abandonara. Desesperada, Ísis procura restituir-lhe o sopro da vida, porém a criança encontrava-se demasiadamente débil para alimentar-se com o leite materno. Sem hesitar, a deusa suplica o auxílio dos aldeões, que todavia se relevam impotentes para a socorrer.
++Ivana -
6:24 PM
Parabens!!!!
Agora, que tal seguir minha sugestão?...risos
++Ivana -
1:11 AM
Terça-feira, Novembro 16, 2004
Hoje faz Um Ano que estou perdida no Labirinto!!!!
Um ano que uma Amiga me convenceu a aderir ao blog, e desta mesma amiga, ganhei o bolo e o vinho para comemorar.
++Ivana -
11:43 PM
Terça-feira, Novembro 09, 2004
A Lenda de Osíris
Osíris veio ao Egito acompanhado de sua irmã-esposa, a deusa Ísis. Ele ensinou aos homens a agricultura, a metalurgia... Diz à lenda que Osíris, era um grande rei que, ao lado de sua esposa, trazia fartura e alegria para sua gente. Mas seu irmão Set (o deus do mau, o vento seco do deserto) ficou com inveja. Mas um dia Set convidou Osíris para uma festa e, enganando-o, fechou-o dentro de uma caixa que ele lançou ao rio. Ísis, desesperada, o achou em Biblos, onde uma grande árvore que retivera o prisioneiro. Mas Set, uma noite em que Osíris caçava sob a claridade da lua, matou-o e cortou-o em quatorze pedaços, os quais espalhou pelo o Egito. Pacientemente, Ísis os recolheu e com a ajuda do seu filho Hórus, juntou-os e compôs o corpo do seu marido, e valendo-se de seus poderosos mágicos, ressuscitou-o levando seu marido a uma nova existência. Para vingar o pai, Hórus, seu filho enfrentou e venceu seu maldoso tio, passando a ocupar o trono do Egito. Do Deus Hórus, descenderam todos os faraós!.
A lenda de Osíris, explica a origem dos faraós de modo a reforçar a idéia de que eles eram deuses.
A lenda de Osíris, explica a origem dos faraós de modo a reforçar a idéia de que eles eram deuses.
(AUBERT, André, Histoire: L'Orient et la Gréce. Paris, Hachette, 1959. P. 43)
++Ivana -
1:46 AM
