" Labirinto II " by Luis Royo

Segunda-feira, Março 29, 2004


A PIRÂMIDE DE MIQUERINOS
Desde o século I da nossa era que a terceira dentre as mais famosas pirâmides do mundo teve sua construção atribuída a Miquerinos (em egípcio Men-kau-Re), filho de Kéfren e quinto soberano da IV dinastia, cujo reinado se estendeu de 2490 a 2472 a.C. No século XIX descobriu-se seu nome escrito com ocre vermelho no teto da câmara funerária de uma pirâmide secundária do conjunto de monumentos a ele atribuídos, confirmando-se, assim, a informação que havia sido dada por Heródoto. Ela ocupa menos de um quarto da área coberta pela Grande Pirâmide, mas mesmo assim seu tamanho é considerável e sua altura atingia mais de 66 metros, o que corresponde a de um prédio de 22 andares.




Miquerinos reinou poucos anos e não houve tempo para concluir um monumento bem acabado como o de seu pai. Grande parte do trabalho foi terminado às pressas, usou-se material de qualidade inferior e até mesmo algumas partes foram deixadas inacabadas. Era comum que sucessores de um faraó, fossem ou não seus filhos, terminassem a obra de seu antecessor. Assim, os estudiosos supõem que Shepseskaf, filho e sucessor de Miquerinos, tenha completado algumas das edificações de tijolo do complexo piramidal e uma inscrição encontrada no templo funerário atesta isso.
Cada lado da base desse monumento mede 108 metros e 66 centímetros, perfazendo uma área ocupada de 11 mil e 807 metros quadrados, enquanto que sua altura era, originalmente, de 66 metros e 44 centímetros, sendo que hoje essa dimensão está reduzida a 62 metros e 18 centímetros. As 16 carreiras inferiores da pirâmide são revestidas de granito vermelho, polido em algumas delas e em estado bruto em outras, e as demais de pedra calcária polida. Os antigos egípcios deram-lhe o nome de Neter Men-kau-Re, divino é Miquerinos, ou Neteret, a divina.
Miquerinos reinou poucos anos e não houve tempo para concluir um monumento bem acabado como o de seu pai. Grande parte do trabalho foi terminado às pressas, usou-se material de qualidade inferior e até mesmo algumas partes foram deixadas inacabadas. Era comum que sucessores de um faraó, fossem ou não seus filhos, terminassem a obra de seu antecessor. Assim, os estudiosos supõem que Shepseskaf, filho e sucessor de Miquerinos, tenha completado algumas das edificações de tijolo do complexo piramidal e uma inscrição encontrada no templo funerário atesta isso.
Cada lado da base desse monumento mede 108 metros e 66 centímetros, perfazendo uma área ocupada de 11 mil e 807 metros quadrados, enquanto que sua altura era, originalmente, de 66 metros e 44 centímetros, sendo que hoje essa dimensão está reduzida a 62 metros e 18 centímetros. As 16 carreiras inferiores da pirâmide são revestidas de granito vermelho, polido em algumas delas e em estado bruto em outras, e as demais de pedra calcária polida. Os antigos egípcios deram-lhe o nome de Neter Men-kau-Re, divino é Miquerinos, ou Neteret, a divina.
Os subterrâneos da pirâmide parecem demonstrar que houve uma mudança de planos durante sua construção. Inicialmente cavou-se um corredor descendente através da rocha, o qual levava a uma câmara mortuária retangular. Ao se decidir por um novo projeto, o piso dessa câmara foi aprofundado e um segundo corredor foi perfurado por baixo do primeiro. Os estudiosos supõem que a causa da mudança tenha sido a decisão de aumentar o tamanho do monumento, tornando-se necessário, portanto, construir o corredor em posição mais baixa, para que se preservasse a entrada na face norte da pirâmide aproximadamente a uma mesma altura com relação ao solo no que diz respeito àquilo que havia sido planejado no projeto original. O segundo corredor é revestido de granito até o ponto em que penetra no substrato rochoso. No ponto em que se inicia sua seção horizontal, ele é ampliado, formando uma antecâmara que apresenta as paredes de pedra decoradas com painéis esculpidos em relevo. Bloqueando a passagem da antecâmara para a câmara mortuária existem três portas levadiças de granito, as quais se encaixam em canaletas verticais talhadas nas paredes. Supõe-se que tais portas eram baixadas por meio de cordas que corriam sobre cilindros de madeira fixados no topo de cada canaleta.
Por sob todo esse conjunto existem ainda outras duas câmaras e uma rampa que as acessa partindo em declive do centro do piso da câmara mortuária original e terminando numa curta passagem horizontal. A primeira de tais câmaras fica à direita da passagem e a ela se chega por um lance de escada. É um recinto retangular com quatro cubículos fundos em sua parede leste e dois na parede norte, tudo cavado na rocha. Os arqueólogos afirmam que os primeiros quatro recintos destinavam-se a receber as quatro vísceras do faraó, em seus respectivos vasos canopos, enquanto que os demais destinavam-se a receber as coroas reais. A segunda câmara está situada no outro extremo da passagem horizontal e visava substituir a câmara mortuária original. O seu piso, paredes e teto são totalmente de granito, sendo que esse último é arredondado, formando uma espécie de abóbada. Nesse local foi encontrado um sarcófago vazio, que se perdeu quando o navio que o transportava naufragou na costa espanhola. Era retangular, feito de basalto e suas faces externas estavam esculpidas com painéis decorativos.
Os alicerces do templo do vale eram de pedra, mas sua estrutura era quase que totalmente de tijolo cru. A calçada que o unia ao templo mortuário era formada por um aterro de pedra, sobre o qual se construiu um corredor de tijolos revestido, tanto por dentro quanto por fora, de argamassa branca e coberto com barrotes de madeira. No templo mortuário os alicerces e a parte interna de algumas das paredes eram de pedra calcária local. Em alguns trechos existem pisos de granito e paredes revestidas do mesmo material, mas uma grande parte da construção foi completada apenas com tijolo cru. Estudiosos avaliaram que alguns dos blocos de pedra calcária das paredes do templo mortuário chegam a pesar 220 toneladas, enquanto que as pedras graníticas mais pesadas do seu revestimento, todas transportadas de Assuã, localidade distante cerca de 804 quilômetros de Gizé, devem ter peso excedente a 30 toneladas.




Os arqueólogos encontraram, ao escavarem os templos do vale e mortuário, um grande número de estátuas e estatuetas, a maioria das quais representa o faraó Miquerinos sozinho ou como membro de um grupo. No templo do vale, por exemplo, foram encontrados quatro lindos conjuntos esculpidos em ardósia, representando o rei, a deusa Hátor e uma divindade protetora de um dos nomos em que se dividia o país. Na ilustração que se vê ao lado, o rei, usando a coroa do Alto Egito, a barba postiça e a veste real, aparece entre Hátor e a divindade local que simbolizava o sétimo nomo do Alto Egito. Acredita-se que a intenção fosse a de esculpir 22 conjuntos semelhantes, um para cada nomo existente, mostrando o rei ao lado de cada um dos deuses ou deusas protetores do respectivo nomo, o que não chegou, provavelmente, a ser realizado. Outras obras de arte encontradas foram uma estátua de ardósia representando o faraó e a rainha principal, Khamerernebty II, e quinze estátuas inacabadas do rei. Estimativas, feitas com base nos fragmentos de esculturas descobertos no complexo piramidal de Miquerinos, levam a crer que lá existiriam entre 100 e 200 estátuas separadas.
Ao sul do monumento estão enfileiradas três pirâmides subsidiárias que, ao que tudo indica, jamais foram concluídas. A maior, e cuja construção mais avançou, é revestida parcialmente de granito. As outras duas não chegaram até a fase do acabamento. Junto à face leste de cada uma delas há um pequeno templo funerário. Edificados com tijolo, provavelmente foram erguidos por Shepseskaf após a morte do pai. Não existem indícios de a quem pertenciam tais pirâmides. Pelo tamanho, é provável que a maior se destinasse ao sepultamento da rainha Khamerernebty II. Em outra foi encontrado um pequeno sarcófago de granito, contendo alguns ossos humanos aparentemente de uma mulher moça, o que leva a supor que teria sido o túmulo de uma princesa ou rainha jovem. Desconhecemos totalmente a quem se destinava a terceira pirâmide.

++Ivana - 2:17 AM

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Domingo, Março 28, 2004


A PIRÂMIDE DE KÉFREN

O faraó Kéfren (em egípcio Khaef-Re), irmão de Kéops e quarto rei da IV dinastia, reinou entre 2520 e 2494 a.C. e mandou construir o monumento que hoje é, em tamanho, a segunda maior pirâmide do Egito antigo. Imponente, era revestida de pedra calcária e granito vermelho e os antigos egípcios deram-lhe o nome de Grande é Kéfren e também chamavam-na de A Grande Pirâmide. No seu interior foi achado um sarcófago com dois metros e 43 centímetros de comprimento por um metro de largura e 68 centímetros de profundidade, mas o corpo do rei não foi encontrado. Nas proximidades do monumento, um conjunto rochoso foi aproveitado para que nele se esculpisse a famosa esfinge, cuja cabeça representa a face do faraó.




Embora visualmente dê a impressão de ser mais alta que a pirâmide de Kéops, por se encontrar em terreno mais elevado, a pirâmide de Kéfren é mais baixa que aquela. Sua altura original era de 143 metros, o que a tornava três metros mais baixa que a primeira quando ambas estavam intactas. Hoje ela mede 136 metros e, portanto, é cerca de apenas um metro mais baixa que a Grande Pirâmide em seu estado atual. Cada lado da base mede 215 metros e, portanto, a área que ocupa é de 46 mil e 225 metros quadrados. Nela chama logo a atenção a permanência até hoje em seu topo de boa parte do revestimento de pedras calcárias. À luz do sol do meio-dia elas ainda brilham de forma deslumbrante. Na base também foi preservada parte da camada rente ao chão, que era a única em granito vermelho de toda a pirâmide.
O monumento tem duas entradas, ambas cerca de 12 metros a leste do ponto central de sua face norte. Uma se encontra mais ou menos a 15 metros de altura em relação ao solo, ao passo que a outra foi escavada diretamente nele e também diretamente abaixo da primeira. Da entrada superior parte um corredor inclinado, baixo e estreito, que desce pela estrutura da pirâmide até penetrar na rocha, quando então torna-se horizontal e continua até o centro do monumento onde se abre na câmara funerária. O teto, piso e paredes de toda a seção inclinada do corredor, bem como de pequena parte da seção horizontal são revestidos de granito vermelho. Próximo do ponto onde o revestimento de granito termina, foram talhadas canaletas verticais nas paredes, destinadas a receber uma porta levadiça, também de granito, cujos destroços ainda permanecem naquele local.
Quase toda a câmara mortuária foi talhada na rocha. A exceção ficou por conta do teto em ponta que é formado por lajes de pedra calcária assentadas no mesmo ângulo das faces do monumento. A câmara mede 14 metros e 17 centímetros na direção leste/oeste, cinco metros de largura e seis metros e 85 centímetros de altura. Existem cavidades retangulares de aproximadamente 30 centímetros de profundidade junto ao topo das paredes norte e sul. Elas provavelmente deveriam ser estendidas até a superfície externa da pirâmide para servirem de respiradouro, mas o trabalho não foi levado adiante. No lado oeste do recinto, um fino sarcófago retangular de granito polido foi embutido no solo até a altura de sua tampa. Esta foi encontrada pelos arqueólogos, em 1818, junto ao ataúde, porém quebrada em dois pedaços. Não havia qualquer sinal do corpo do faraó.
Da entrada inferior parte um corredor, cavado no substrato rochoso, que segue trajeto semelhante ao do corredor superior até tornar-se horizontal por um curto trajeto e ascender abruptamente para emergir no solo da seção horizontal do corredor superior. Esse corredor inferior não tem as paredes revestidas de granito, mas nele também existe uma porta levadiça daquele material. Em sua seção plana, na parede leste, existe uma reentrância; no lado oposto, uma passagem em declive desemboca em uma câmara que mede 10 metros e 43 centímetros de comprimento por três metros de largura e dois metros e 56 centímetros de altura. Parece evidente que esse recinto fora planejado para conter o sarcófago, mas a idéia foi abandonada e é possível que isso tenha ocorrido porque a própria posição de construção da pirâmide foi alterada. Seja como for, as duas seções inclinadas desse corredor inferior foram bloqueadas com pedra calcária.
O espaço de pouco mais de 10 metros que separava a pirâmide do alto muro que a cercava era todo pavimentado. No lado sul esse espaço era um pouco maior e aí, frente ao centro da pirâmide de Kéfren, havia uma única pirâmide secundária. Para além dos muros o eminente arqueólogo Sir Flinders Petrie encontrou uma série de galerias que supõe-se sejam os abrigos onde residiam os operários encarregados de erguer todo o complexo piramidal. Cada um dos 91 compartimentos encontrados media aproximadamente 26 metros e 80 centímetros de comprimento, dois metros e 90 centímetros de largura e dois metros de altura. As paredes da galeria eram de pedaços rústicos de pedra calcária revestidos de barro, sendo que o piso também era coberto desse último material. No lado da entrada as paredes terminavam em largas pilastras de pedra calcária talhada, enquanto que ao fundo eram simples, fechavam as galerias em ângulo reto e corriam paralelamente à face oeste da pirâmide de Kéfren.
Junto à esfinge situa-se o templo do vale do complexo da pirâmide de Kéfren. Mede 44 metros e 80 centímetros de cada lado e sua altura é de 13 metros. As paredes, de pedra calcária rústica, são extremamente grossas e foram um dia revestidas, tanto interna quanto externamente, de granito vermelho polido. Alguns desses blocos pesam de 50 a 80 toneladas cada e estão montados com juntas do tipo macho e fêmea. Outros chegam a pesar até 500 toneladas. Na parede leste há duas entradas de acesso ao templo. Em torno delas estavam esculpidas faixas de inscrições hieroglíficas apresentando o nome e títulos do faraó, mas de tais dizeres poucas palavras restaram. Nenhuma outra inscrição ou figura existe em qualquer parte do templo.
A partir da entrada, pequenas passagens levam a vestíbulos também pequenos, mas de considerável altura. Estes se comunicam com uma comprida antecâmara, em cujo solo arqueólogos encontraram uma cova contendo uma estátua de Kéfren em diorito, considerada uma das mais belas esculturas já descobertas do Império Antigo (2575 a 2134 a.C). Com 168 centímetros de altura, ela é assim descrita por Giorgio Lise: Segundo uma das posições canônicas, o faraó aparece sentado, com as mãos sobre as coxas e com a cabeça protegida pelas asas abertas do deus-falcão Hórus. Os juncos entrelaçados nos lados do trono representam a união do Alto e do Baixo Egito, enquanto as pernas em forma de leão são o símbolo do poder do rei. A principal característica do templo é um recinto em forma de tê, com colunas de granito, pavimentado de alabastro e ao qual se chega através de uma passagem que sai da antecâmara. Nele estiveram um dia postadas, ao longo de suas paredes, 23 estátuas reais feitas de diorito, xisto e alabastro e, provavelmente, aquela única que foi encontrada intacta, abrigada em sua cova, fazia parte do conjunto.
Para iluminar o interior, " escreve o professor Everard M. Upjohn " o arquiteto inventou a clarabóia, elemento arquitetônico que atingiria o apogeu, milhares de anos mais tarde, nas igrejas cristãs. A cobertura da parte central era mais alta do que a das naves laterais, permitindo assim a colocação duma fila de pequenas janelas. Por sua vez, o egiptólogo I.E.S.Edwards nos conta: A luz adentrava o recinto através de fendas oblíquas cortadas parcialmente no topo das paredes e parcialmente na parte inferior do teto plano de granito; os raios não brilhavam diretamente sobre as estátuas, mas eram refletidos pelo piso de alabastro e pelas colunas quadradas e massiças de granito vermelho que sustentavam o teto. Tal claridade pode parecer inadequada para iluminar esculturas que, a julgar por aquela que permaneceu intacta, eram obras-primas da arte. As esculturas egípcias, entretanto, não se destinavam a ser expostas, mas a prover o espírito com um imperecível substituto para o corpo humano; não se pensava que a luz difusa ou mesmo a escuridão total pudesse prejudicar a eficácia do substituto " um fato que é demonstrado pela prática regular de enclausurar estátuas em serdabs.
Os estudiosos não acreditam que Kéfren tenha mandado colocar 23 estátuas suas nesse templo para garantir maior número de moradas para o seu ka. Para que a existência divina do faraó fosse preservada no além-túmulo, diziam as crenças, era necessário que cada um dos 26 membros de que se compõe o corpo fossem separada e cerimonialmente deificados e identificados com o deus específico que era associado ao referido membro. Supõe-se, então, que as estátuas se destinavam à deificação individualizada de cada um dos membros de Kéfren. Como três divindades estavam associadas cada uma delas a dois membros, bastavam 23 estátuas, repetindo-se a cerimônia duas vezes em três delas.
Os arqueólogos também supõem que durante as cerimônias que se realizavam no templo no decorrer do sepultamento, o ataúde com o corpo embalsamado do rei era colocado junto às estátuas. As quatro vísceras, em seus respectivos vasos canopos, ficavam cada uma delas em uma longa cela de um grupo de seis delas dispostas em dois andares, atingidas por uma passagem que saia do lado sul do recinto com colunas. As celas restantes destinavam-se a armazenar duas coroas reais. Uma passagem que partia do lado norte do recinto com colunas atingia a calçada que se iniciava no exterior do templo. A meio caminho da passagem existia um corredor estreito que levava a uma pequena câmara revestida de alabastro, a qual talvez servisse para o armazenamento de oferendas utilizadas durante as cerimônias funerárias.
O templo do vale ligava-se ao templo mortuário através de uma calçada que foi construída obliquamente para evitar uma profunda depressão do terreno. Com mais de 400 metros de extensão e cerca de quatro metros e 57 centímetros de largura, tinha muros e era coberta por um teto plano de lajes de pedra. Quase nada restou dela a não ser pouca coisa de seu alicerce rochoso e algumas pedras de suas paredes e calçamento. A luz " e naturalmente a chuva " penetravam através de rasgos horizontais feitos na parte central das lajes do teto. Para evitar que a água inundasse o corredor e atingisse o templo do vale, foi aberto um canal no pavimento da parte inferior da calçada, o qual conduzia a água para fora através de uma passagem nas paredes laterais.
O templo mortuário era uma construção baixa e media aproximadamente 112 metros de comprimento por 48 metros de largura. Suas paredes de pedra eram parcialmente revestidas de granito vermelho por dentro, sendo que por fora havia revestimento do mesmo material apenas na primeira camada inferior, enquanto que o restante era coberto de pedra calcária proveniente de Tura. A calçada desembocava em um corredor. À esquerda deste, duas câmaras construídas em granito destinavam-se a receber as coroas reais; na sua extrema direita, quatro câmaras revestidas de alabastro armazenavam as vísceras do faraó no decorrer das cerimônias fúnebres. Ao centro do corredor havia um pequeno vestíbulo que se ligava por estreita passagem com a antesala de entrada formada por dois recintos, um transversal e outro longitudinal, também unidos por pequena passagem. Colunas retangulares e monolíticas de granito vermelho, semelhantes às que existiam no templo do vale, suportavam os telhados do vestíbulo e das duas partes da antesala. Nas extremidades da seção transversal da antesala, existiam duas câmaras estreitas e compridas cujas paredes do fundo eram formadas por um único bloco de granito. A finalidade desses recintos ainda causa polêmica entre os estudiosos.
Após a ante-sala abria-se um claustro, pavimentado de alabastro. Pilares largos feitos com blocos de granito vermelho suportavam o teto curvo da galeria. Uma dúzia de estátuas de Kéfren sentado, cada uma delas com três metros e 65 centímetros de altura, acomodam-se e projetavam-se para fora de recessos existentes na parte frontal de tais pilares. Acima de cada estátua um par de abutres de asas abertas representavam a deusa protetora Nekhbet. Outras inscrições hieroglíficas com o nome e títulos do rei e relevos em pedra calcária nas paredes internas da arcaria completavam a decoração do recinto. Depois do claustro existiam cinco nichos profundos, que talvez tenham contido estátuas do rei. Estimativas, feitas com base nos fragmentos de esculturas descobertos no complexo piramidal de Kéfren, levam a crer que lá existiriam entre 100 e 200 estátuas separadas.
Além do pátio apenas os sacerdotes estavam autorizados a penetrar. Através de um corredor localizado à esquerda da parte posterior do claustro, podiam atingir o santuário do templo. Nele existia uma falsa-porta em sua parede oeste com um altar baixo sob ela. As oferendas eram diariamente postas sobre o altar pelos sacerdotes. Entre os cinco nichos das estátuas e o santuário havia cinco armazéns nos quais ficavam guardados os jarros com vinho e reservas de mantimentos dos quais o morto lançaria mão caso os sacerdotes negligenciassem sua tarefa diária de ofertar alimentos frescos ao falecido.
A partir de uma longa rampa, localizada à direita da parte posterior do claustro, era possível atravesar o muro que rodeava a pirâmide, atingir o exterior do templo e sair frente ao colossal monumento. No lado de fora do templo, cinco covas para botes foram escavadas na rocha junto às paredes norte e sul e duas delas ainda preservam tetos feitos com lajes de pedra calcária. Nenhum dos barcos de madeira supostamente ali depositados foi encontrado.

++Ivana - 2:18 AM

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Sexta-feira, Março 26, 2004


A PIRÂMIDE DE KÉOPS

Segundo faraó da IV dinastia, Kéops, cujo reinado se estendeu de 2551 a 2528 a.C. aproximadamente, talvez influenciado pelo tamanho da pirâmide erguida por seu pai Snefru, escolheu um planalto situado nas bordas do deserto, mais ou menos a oito quilômetros de Gizé, e ali ergueu uma pirâmide de dimensões ainda maiores. Conhecida como a Grande Pirâmide ou Primeira Pirâmide de Gizé, esse monumento marca o apogeu da época de tais construções, tanto no que se refere ao tamanho quanto no que se refere à qualidade do trabalho. Tendo uma base que cobre quase 53 mil metros quadrados, esse é, sem dúvida, o monumento mais polêmico de toda a antiguidade egípcia e a única das Sete Maravilhas do Mundo que chegou até nossos dias.




A quantidade de pedra talhada que foi usada para erguer a pirâmide de Kéops não pode ser computada com exatidão, pois o centro de seu interior consiste de um núcleo de rochas cujo tamanho não pode ser determinado com precisão. Todavia, estima-se que quando pronta e intacta devia ser formada por dois milhões e 300 mil blocos de pedra, cada um pesando em média duas toneladas e meia, sendo que os maiores deles pesavam 15 toneladas. O peso total do monumento tem sido avaliado em 5.273.834 toneladas. Sua parte interna foi erguida com a rocha de qualidade inferior que se encontra normalmente naquelas vizinhanças e todo seu revestimento foi feito com a pedra calcária branca de excelente qualidade da região de Tura, localidade perto do Cairo. O pesquisador Max Toth nos conta que as pedras de revestimento, perfeitamente trabalhadas, com uma superfície de contato de aproximadamente 3,25 m², estavam tão bem cimentadas que as juntas entre elas têm uma separação de não mais de 0,6 cm. Esse cimento tem uma tal retentividade que existem fragmentos de pedra de revestimento ainda unidos pelo cimento, embora o resto dos blocos de ambos os lados tenha sido destruído. Pena que civilizações posteriores tenham arrancado quase todas as pedras calcárias do revestimento, com exceção de algumas peças junto da base, para uso em construções modernas. Também se avalia que cerca de 12 camadas, abaixo da pedra do ápice, tenham sido retiradas do vértice. Os pessadíssimos blocos, alguns pesando cerca de 50 toneladas, usados para revestir as câmaras e corredores internos são de granito e foram extraídos das pedreiras de Assuã, localizadas a 800 quilômetros de distância. As faces da pirâmide brilhavam com a luz do Sol e os egípcios lhe deram o nome de Akhet Khufu, Resplandecente É Kéops, ou Akhuit, A Resplandecente. Também chamavam-na de A Pirâmide que É o Lugar do Nascer e do Pôr do Sol.
Uma das maneiras de ilustrar a grandiosidade da pirâmide para quem nunca a viu de perto, consiste em compará-la com outros monumentos famosos. Estima-se, por exemplo, que na área por ela ocupada caberiam a catedral de Florença, a de Milão e a de São Pedro de Roma, bem como a abadia de Westminster e a catedral de São Paulo de Londres. Por outro lado, sua altura original de 146 metros é superior à da basílica de São Pedro em Roma, que é de 139 metros. Atualmente, porém, mede 137 metros de altura, pois nove metros de seu topo se perderam com o passar do tempo. E para quem gosta de comparações curiosas, alguém calculou que caso a pirâmide fosse reduzida a cubos com 30 centímetros de lado e eles fossem colocados em fila, se estenderiam por uma distância igual a dois-terços da circunferência da Terra no equador. Diz a lenda que Napoleão também fez um de tais curiosos cálculos e concluiu que as três pirâmides de Gizé contêm pedra suficiente para erguer um muro ao redor da França com altura de três metros e espessura de 30 centímetros, cálculo esse que foi confirmado por um eminente matemático francês contemporâneo do imperador.
Os lados da pirâmide, em sua base, medem aproximadamente 230 metros cada um e estão orientados quase que perfeitamente em linha com os quatro pontos cardeais e isso também significa que os quatro cantos do monumento são ângulos retos quase perfeitos. O alinhamento é tão exato, que os erros de uma bússola podem ser detectados se compararmos as suas indicações com a orientação piramidal. Trata-se de um fato surpreendente e intrigante se levarmos em consideração que a bússola magnética era totalmente desconhecida dos antigos egípcios. Muito provavelmente conseguiram tal precisão observando o nascer e o ocaso de uma estrela setentrional e determinando os pontos cardeais norte e sul através de medições feitas com um prumo. As quatro faces da pirâmide se inclinam em um ângulo de cerca de 51° 52' em relação ao solo. A entrada fica na face norte, a uma altura de cerca de 16 metros e 76 centímetros medidos verticalmente em relação ao solo, e não está exatamente no meio da parede, mas sim deslocada cerca de sete metros para leste do centro. A partir da entrada um corredor descendente com um metro de largura por um metro e 20 centímetros de altura penetra num ângulo de 26° através da estrutura do monumento e depois pelo solo rochoso. A uma distância de aproximadamente 105 metros da entrada torna-se plano e continua horizontalmente por mais quase nove metros antes de desembocar numa câmara. Essa encontra-se a 30 metros abaixo do nível do solo, ficou inacabada, e em seu piso existe uma cova quadrada que parece ser o início de um trabalho destinado a aprofundar o compartimento. A câmara é retangular e mede oito metros e 25 centímetros por 14 metros e tem altura de três metros e 50 centímetros. Na parede sul da câmara, no lado oposto à entrada, existe uma passagem sem saída cavada rusticamente na rocha e que ficou inacabada. Os arqueólogos supõem que essa passagem iria levar a uma outra câmara que nunca foi construída.
Ao que parece, nessa altura da construção os planos mudaram e a escavação subterrânea foi abandonada. Abriu-se, então, um buraco no teto do corredor descendente, cerca de 18 metros e 30 centímetros da entrada, e a partir daí construiu-se um corredor ascendente dentro da estrutura da pirâmide. Após o sepultamento a entrada desse corredor foi tampada com uma laje de pedra calcária tornando-a praticamente invisível. O corredor ascendente tem aproximadamente 39 metros de comprimento, sendo que sua largura e altura são iguais às do corredor descendente e seu ângulo de inclinação é de 26° 2' 30". É revestido de calcário branco muito polido em toda a sua extensão, terminando num cruzamento. Logo após a entrada há três grandes blocos de granito vermelho, com um metro e 82 centímetros cada, colocados um após o outro, que vedavam totalmente a passagem e deveriam funcionar como obstáculos para quem, eventualmente, descobrisse a entrada do corredor.
Ao construírem esse corredor ascendente parece que a idéia era a de colocar a câmara mortuária na parte central do monumento e a uma altura não muito elevada em relação ao solo. E tal câmara foi realmente construída no final de uma passagem horizontal que tem quase 39 metros de comprimento e um metro de lado e que parte do topo do corredor ascendente. Hoje ela é conhecida com o nome equivocado de câmara da rainha e fica exatamente no meio da distância entre as faces norte e sul da pirâmide, ou seja, diretamente debaixo do vértice do monumento. Mede cinco metros e 70 centímetros por cinco metros e 23 centímetros e tem o teto em ponta atingindo a altura de seis metros e 22 centímetros. Os blocos que formam o teto ultrapassam a largura da câmara e se estendem pela alvenaria circundante por mais de três metros de cada lado. Sua função é reduzir o peso real da massa piramidal sobre as paredes do recinto. Na parede leste há um nicho com apenas um metro de profundidade, quatro metros e 67 centímetros de altura e largura da base de um metro e 57 centímetros, que se supõem fosse destinado a conter a estátua do rei, mas que, provavelmente, nunca foi colocada em seu lugar. Indícios como a falta de acabamento do piso e outros, apontam para a probabilidade de que a câmara da rainha não tenha sido terminada.
Os arqueólogos acreditam que nesse ponto dos trabalhos os egípcios mudaram seus planos mais uma vez. Iniciaram, então, a construção da grande galeria, que é uma continuação do corredor ascendente. Ela tem 46 metros e 63 centímetros de comprimento e oito metros e 53 centímetros de altura; suas paredes, de pedra calcária polida, inicialmente erguem-se verticalmente até dois metros e 28 centímetros, atingindo aí uma largura de quase um metro e 80 centímetros. Acima desse nível há sete fiadas que se projetam para dentro cerca de oito centímetros além da fiada sobre a qual se apoiam, formando, assim, uma abóbada que impressiona por suas dimensões. O espaço entre a fiada superior de cada lado tem um metro e cinco centímetros de largo e é fechado por lajes à guisa de telhado. Engenhosamente, cada laje do teto inclinado tem sua borda inferior apoiada numa espécie de reentrância talhada no topo das paredes laterais; isso evita que as pedras pressionem as que estão imediatamente abaixo, o que criaria uma excessiva pressão ao longo de todo o teto e faz com que cada laje seja sustentada separadamente pelas paredes laterais sobre as quais se apóia. Na parte inferior de cada parede existe um declive formando uma espécie de degrau com 61 centímetros de altura e 50 centímetros de largura e que se extende ao longo de todo o comprimento da galeria; entre eles corre uma passagem de largura idêntica à do teto.

++Ivana - 11:53 PM

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(cont...)
Na extremidade superior da grande galeria existe uma pedra imensa, com um metro de altura, conhecida como grande degrau, a qual forma uma plataforma de cerca de um metro e 80 centímetros por dois metros e 43 centímetros e estima-se que esteja em linha com o vértice da pirâmide. Ele dá acesso a uma passagem horizontal, baixa e estreita, com um metro de largura e pouco mais de um metro e 20 centímetros de comprimento, que conduz a uma espécie de antecâmara, a qual tem três de suas paredes em granito vermelho polido. Esse aposento tem cerca de 2 metros e 74 centímetros de comprimento, um metro e 52 centímetros de largura e três metros e 66 centímetros de altura. Em suas paredes leste e oeste foram talhadas três canaletas, com 55 centímetros de largura cada uma, que chegam até o chão e destinavam-se a receber três portas levadiças, as quais, entretanto, não foram encontradas pelos arqueólogos. Supõe-se que tais portas seriam baixadas por meio de cordas que deslizariam sobre cilindros de madeira fixados no topo de cada canaleta. Nas mesmas paredes existe, na altura do teto, uma quarta reentrância de menor comprimento, interrompendo-se a uma distância de cerca de um metro e 15 centímetros do chão e que sustenta até hoje dois blocos de granito sobrepostos que se estendem por toda a antecâmara. Cada um de tais blocos é uma laje com aproximadamente um metro e 52 centímetros de largura por 60 centímetros de altura e 40 centímetros de espessura. Elas se situam a cerca de 56 centímetros da parede norte da câmara. Sobra um espaço de um metro e 52 centímetros entre o bloco superior e o teto, o qual teve ter sido obstruído originalmente por outra laje. Tudo isso eram precauções tomadas pelos antigos egípcios para evitar a invasão do sepulcro, pensam os arqueólogos. Outro corredor baixo sai da antecâmara, alinhado exatamente com o corredor de entrada para a mesma, tendo a mesma largura daquele e atingindo quase dois metros e 60 centímetros de comprimento e abre-se para a câmara do rei.
A câmara do rei é totalmente de granito. Mede 10 metros e 46 centímetros por cinco metros e 23 centímetros e tem altura de cinco metros e 81 centímetros. Nas suas paredes norte e sul, a uma altura de cerca de 90 centímetros acima do piso, há aberturas retangulares de dois condutos que penetram no interior da pirâmide e atingem suas paredes externas. Tais condutos são considerados pelos estudiosos como meios de ventilação da câmara, mas também acredita-se que possam ter tido propósitos religiosos.
Junto à parede oeste da câmara do rei encontra-se um sarcófago retangular e sem tampa, feito de granito, totalmente sem inscrições, que provavelmente deve ter recebido um dia o corpo do faraó encerrado em um ataúde de madeira. Entretanto, os pesquisadores encontraram-no vazio. A aparência do sarcófago é grosseira, sendo que muitas das ranhuras provocadas pela serra que o desbastou ainda estão claramente visíveis. Suas dimensões externas são: dois metros e 30 centímetros de comprimento, pouco mais de 90 centímetros de largura e cerca de um metro e 16 centímetros de altura. Batendo-se nele com a mão, houve-se um som claro de campainha. Como a largura do sarcófago é maior do que a largura da entrada do corredor ascendente, concluiu-se que ele deve ter sido colocado em seu lugar durante a construção da câmara do rei.
O teto da câmara do rei tem um desenho inusitado. O forro é plano e formado por nove lajes de granito que pesam em conjunto cerca de 400 toneladas. Acima dele, porém, há cinco compartimentos estanques, sendo que o forro dos quatro primeiros é plano e o do último forma um teto em ponta. A altura dessas câmaras é de aproximadamente 90 centímetros, com excessão da última que permite que uma pessoa fique em pé dentro dela. A intenção, ao que parece, era a de evitar que o forro da câmara ruísse sob o peso da estrutura da pirâmide. Algumas das paredes desses compartimentos são de pedra calcária e em vários de seus blocos ainda se pode ver as marcas em ocre vermelho que neles foram pintadas na pedreira. Entre tais marcas encontram-se as únicas referências existentes ao nome de Kéops em toda a pirâmide.
Do muro que, com certeza, rodeava a pirâmide de Kéops, nada restou. Resta apenas parte do pavimento em pedra calcária que preenchia o espaço entre a pirâmide e o muro. Defronte à parte central da face leste da pirâmide há um templo mortuário: uma construção retangular de pedra calcária, medindo 52 metros e 12 centímetros de norte a sul por 40 metros e 23 centímetros de leste a oeste. Na fachada leste do templo, uma passagem dá acesso a uma calçada murada externa. A construção é basicamente formada por um pátio pavimentado de basalto negro, rodeado por arcarias. O telhado das arcadas pode ser atingido através de uma escada de pedra em caracol e é suportado por colunas de granito, todas decoradas com cenas esculpidas em baixo relevo. No fundo do templo há um nicho que talvez tenha sido o santuário. Se existia ou não alguma coisa entre os fundos do templo e a base da pirâmide de Kéops, não se sabe.
Ao norte e ao sul do templo, mas em uma área localizada do lado externo aos muros que rodeavam a pirâmide, foram encontradas duas covas em forma de barco escavadas na rocha. Outra cova semelhante foi achada junto ao templo. As três estavam vazias. Uma quarta cova, porém, localizada ao sul dos muros, continha um bote de madeira, parcialmente desmontado, com 43 metros e 58 centímetros de comprimento e com capacidade de deslocamento de mais de 40 toneladas. Nessa barca de milhões de anos, como diriam os egípcios, o casco é formado por centenas de peças de madeira que se encaixam como se fosse um enorme quebra-cabeça e que são mantidas unidas por um único pedaço de corda. Assim, tornava-se desnecessário usar calafetagem ou piche para que o barco fosse estanque. O projeto baseava-se no fato de que, quando úmida, a madeira incha, ao passo que a corda encolhe. Isso produzia uma vedação automática, impermeável à água. Afirmam os estudiosos que esse barco tinha condições de navegabilidade infinitamente melhor do que qualquer embarcação da época de Cristóvão Colombo. O barco foi reconstruído (foto abaixo) e um museu foi erguido em Gizé especialmente para abrigá-lo. O costume de enterrar barcos junto aos sepulcros existia desde a I dinastia. Alguns deles talvez tivessem sido usados no decorrer do funeral, mas outros destinavam-se a servir de meio de transporte para o morto no além-túmulo, seja para acompanhar a barca do deus-Sol em sua jornada, seja para atingir as regiões profundas onde os deuses habitavam.
No lado sul da calçada murada que dá acesso ao templo, e em ângulo reto com ela, existe uma fileira de três pirâmides secundárias, sendo que cada uma delas apresenta uma pequena capela em ruínas junto à sua face leste. Ao lado da primeira pirâmide, que acredita-se tenha pertencido à rainha favorita de Kéops, há uma pequena cova em forma de barco. A segunda pirâmide parece ter pertencido à uma das filhas de Kéops, enquanto que a terceira pertenceu, conforme documentos datados da XXI dinastia, a uma rainha de nome Henutsen, provavelmente apenas uma meia-irmã do faraó e não sua esposa.
Nas proximidades da primeira pirâmide secundária os arqueólogos descobriram um túmulo real intocado pertencente à esposa do faraó Snefru e mãe de Kéops, a rainha Hetepheres. O sepulcro foi encontrado no fundo de um poço de 30 metros de profundidade e que havia sido totalmente bloqueado com alvenaria. Não havia qualquer edificação sobre o poço. Muito ao contrário, sua boca foi cuidadosamente disfarçada para confundir-se com o restante do solo e não ser localizada. Na câmara mortuária havia um fino sarcófago de alabastro vazio, mas as vísceras lá estavam em uma caixa também de alabastro. Diversos objetos foram encontrados na câmara funerária: vasos de alabastro, um jarro de cobre, três vasos de ouro, navalhas de ouro, ferramentas de cobre e um instrumento de ouro para manicura, pontudo numa das extremidades para limpar as unhas e curvo na outra para pressionar a cutícula. Havia, ainda, uma caixa de toalete com oito pequenos vasos de alabastro cheios de unguentos e pós. Numa caixa de jóias estavam 20 ornatos de prata para o tornozelo, decorados com libelinhas de malaquita, lápis lazuli e cornalina. Objetos maiores também figuravam no conjunto: uma estrutura de baldaquino feita de madeira revestida de ouro, duas cadeiras com braços e uma cama parcialmente revestidas com folhas de ouro. Nos pés da cama vê-se um painel de ouro decorado com um desenho floral em azul e preto.
A leste e a oeste dos muros que cercavam a pirâmide de Kéops existiam grandes cemitérios de mastabas, dispostas em fileiras paralelas. No lado sul da pirâmide havia apenas uma fila de mastabas e no lado norte elas não existiam. Os ocupantes dos túmulos do cemitério do lado leste eram parentes próximos do rei e os do lado oeste, que é o maior, funcionários da administração. Tal disposição ilustra a crença de que o faraó viveria no além-túmulo cercado por seus parentes e servos leais. Muitas das mastabas perderam seu revestimento externo. Originalmente estavam recobertas por pedra calcária, a exemplo da pirâmide. Assim, todo o conjunto apresentava uma coloração uniforme, com a Grande Pirâmide se elevando bem ao centro de forma impressionante. Por sua vez, o contraste entre a enormidade da pirâmide e a pouca altura das mastabas deveria ilustrar a diferença entre a majestade divina do rei e a condição de simples mortais de seus súditos. A simetria das sepulturas foi quebrada já no decorrer da V e da VI dinastias, quando pequenas mastabas foram erguidas nos espaços existentes entre as fileiras dos túmulos primitivos. Os próprios funcionários da necrópole e os sacerdotes mortuários, que executavam as tarefas necessárias à preservação do bem estar dos mortos, construíram ali seus próprios sepulcros. Em épocas posteriores, os egípcios passaram a acreditar que construir seus túmulos na região de Gizé lhes conferiria vantagens adicionais após a morte e, assim, toda a área apinhou-se de sepulcros.

++Ivana - 11:45 PM

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Quarta-feira, Março 24, 2004


A PIRÂMIDE TORTA

O primeiro faraó da IV dinastia, Snefru, que reinou aproximadamente entre 2575 e 2551 a.C., mandou erguer na localidade de Dahshur uma pirâmide que se tornou única, entre tantas construídas, em função da forma final que acabou tendo. Inicialmente a obra fora planejada para ser uma pirâmide verdadeira. Entretanto, houve uma redução abrupta no ângulo de inclinação das suas faces externas, num ponto um tanto acima da metade da altura prevista para o monumento, o que alterou a sua forma piramidal. O resultado final fez com que atualmente essa construção seja conhecida como pirâmide torta, falsa, romba, romboidal ou rombóide.




Ao que tudo indica, o faraó Snefru foi um dos mais laboriosos construtores do antigo Egito. No planalto líbio, a dez quilômetros de Saqqara, mandou erguer, durante seu reinado de 24 anos, duas enormes pirâmides e deu-lhes nomes apropriados: Pirâmide Refulgente do Sul e Pirâmide Refulgente.
Elas estão lá até hoje. A primeira é conhecida atualmente como pirâmide torta e a segunda como pirâmide vermelha. Em conjunto elas têm mais pedras do que a pirâmide de Kéops. Sabe-se, também, que Snefru construiu templos por todo o Egito e parece ter sido o responsável pela edificação dos primeiros templos do vale e suas calçadas, bem como das primeiras pirâmides menores, subsidiárias, postadas junto das estruturas principais e que, posteriormente, se tornaram rotineiras.
Os arqueólogos têm sugerido que a pirâmide torta teria sido concluída às pressas, o que teria exigido uma redução na sua altura e explicaria seu formato, o que é corroborado pelo fato das pedras da parte superior da obra terem sido assentadas com muito menos cuidado do que as da parte inferior. Também pode ter ocorrido que o ângulo de inclinação da pirâmide tenha sido reduzido pelo arquiteto para tentar diminuir o volume imenso de esforço sobre as paredes das câmaras internas que, acredita-se, poderiam estar apresentando rachaduras durante a construção. Cada face da pirâmide mede, aproximadamente, 189 metros em sua base e sua altura deve ter sido de 102 metros, correspondente a um prédio de 34 andares. Entre todas as pirâmides ainda existentes, essa é a que está externamente melhor conservada, pois nenhuma outra preserva tanto do revestimento feito com a pedra calcária da localidade de Tura. Um visivel aperfeiçoamento no método de aplicação do revestimeto e de colocação dos blocos deve ser a causa dessa maior durabilidade.
Inédita também se apresenta essa pirâmide pelo fato de possuir duas entradas: uma em sua face norte e outra na face oeste. Mais ou menos no centro da face norte e a uma altura de cerca de 12 metros do solo, uma abertura dá acesso a um corredor descendente, estreito e de teto baixo, que penetra inicialmente na pirâmide e depois no solo rochoso. A uma distância de aproximadamente 73 metros e 60 centímetros da entrada torna-se plano por cerca de 80 centímetros e, nesse ponto, sua altura sobe para 12 metros e 65 centímetros, formando um vestíbulo estreito e majestoso com mais ou menos cinco metros de comprimento. Imediatamente após surge a primeira câmara mortuária que mede seis metros e 24 centímetros por 11 metros e 27 centímetros e tem altura de cerca de 17 metros. Seu piso foi elevado, por meio de blocos de pedra, a uma altura de seis metros e 24 centímetros acima do piso do vestíbulo. O mais interessante nessa câmara é seu teto em ponta. Ele foi formado deslocando-se apenas uns poucos centímetros para dentro cada uma das 15 carreiras superiores de calcário nas quatro paredes, o que deixou no topo um pequeno espaço que mede somente um metro e 60 centímetros por 30 centímetros. Na parede que fica do lado oposto à entrada da câmara, há uma passagem com três metros de comprimento que leva a uma cova profunda que foi encontrada cheia de blocos de pedra e pavimentada. Acima dela ergue-se perpendicularmente uma espécie de poço até uma altura de quase 13 metros. Uma segunda passagem parte do teto da câmara em aclive e atinge a parede do poço. Dois blocos de pedra foram encontrados abrigados em recessos existentes dentro do poço: um no lado norte, imediatamente abaixo da abertura da passagem superior e o outro no lado sul, próximo ao topo do poço, provavelmente destinado a tapá-lo. Os blocos, entretanto, não foram possicionados nas aberturas.
Por sua vez, da face oeste da pirâmide parte um segundo corredor que conduz a uma segunda câmara funerária. Ele penetra em declive no monumento, faz um percurso de 64 metros até atingir o nível do solo e dai prossegue horizontalmente por mais 20 metros. Nesse ponto ergue-se a segunda câmara funerária que, a exemplo da primeira, também tem o teto em ponta e o piso elevado a uma altura de quatro metros e 26 centímetros por meio de camadas de pequenos blocos de pedra. Os arqueólogos encontraram esse segundo corredor parcialmente bloqueado com pedras e mesmo sua entrada estava recoberta pela camada de cobertura da pirâmide. O único meio de atingir a câmara superior, depois que a pirâmide ficou pronta, era através de uma passagem talhada toscamente a partir de uma abertura no lado sul do teto da câmara inferior e que atingia um ponto na seção horizontal do corredor superior. Nesse corredor havia duas portas corrediças que isolavam completamente o trecho onde desembocava a passagem de ligação. Apenas a porta mais afastada da câmara funerária foi encontrada fechada.
Dentro dessa pirâmide os arqueólogos encontraram apenas alguma cordoalha e cestos de datação incerta, bem como os restos desmembrados de uma coruja e parte dos esqueletos de cinco morcegos, reunidos e colocados dentro de uma caixa de madeira posta em uma cavidade do piso de um dos corredores. Nenhum vestígio de sarcófago foi achado em qualquer das câmaras. O nome do faraó Snefru foi encontrado escrito com ocre vermelho em duas das pedras do monumento, uma delas localizada abaixo do piso da câmara funerária superior.
Uma segunda pirâmide, bem menor, foi construída a uma distância de 55 metros ao sul da pirâmide torta. Cada um dos seus lados mede cerca de 55 metros na base e sua altura alcançou 32 metros e 54 centímetros. Internamente possui um corredor descendente, que parte de uma entrada localizada acima do solo no centro de sua face norte, uma curta passagem horizontal e uma passagem ascendente que abre para uma câmara mortuária medindo pouco mais de dois metros quadrados. Frente à entrada do monumento há um pequeno santuário com uma cavidade no centro do piso e na face leste da pirâmide erguiam-se duas estelas de pedra calcária com quatro metros e 87 centímetros de altura e o topo arredondado, as quais ladeavam um pequeno altar de pedra. Uma das estelas não chegou até nossos dias, mas a outra apresenta um baixo relevo com a figura sentada do rei Snefru usando a coroa dupla, um vestuário curto de linho e segurando um mangual na mão direita. Um falcão de Hórus e os nomes e títulos do faraó completam a estela. Essa pirâmide subsidiária provavelmente foi construída para sepultar as vísceras do faraó, as quais eram retiradas do corpo durante o processo de mumificação e guardadas nos vasos canopos. Entretanto, nada foi encontrado em seu interior.
O complexo funerário da pirâmide torta não apresentava um templo mortuário propriamente dito. Havia apenas um recinto aberto para oferendas, com um altar e duas estelas de pedra calcária. As estelas tinham quase o dobro da altura daquela encontrada junto à pirâmide menor, eram do mesmo formato e estavam decoradas com os nomes e títulos do rei. O altar, coberto por lajes apoiadas sobre duas paredes laterais de pedra, era formado por três blocos calcários e uma mesa de oferendas de alabastro, a qual se inseria em uma cavidade talhada na superfície superior dos blocos, própria para recebê-la. O recinto era cercado por muros de proteção feitos também de pedra.
Uma calçada com cerca de três metros de largura e 705 metros de comprimento e sem cobertura partia do muro que rodeava a pirâmide torta na sua face norte e levava até o templo situado no vale. Ladeando a calçada havia paredes de blocos de pedra com espessura de um metro e 98 centímetros na base e altura de um metro e 87 centímetros. Junto ao muro que rodeava a pirâmide a calçada formava dois recessos e em um deles havia uma porta, a qual permitia que os sacerdotes adentrassem o recinto da pirâmide sem necessidade de se deslocarem até o templo do vale e de lá retornarem pela calçada.
O chamado templo do vale, ao ser descoberto, supreendeu os arqueólogos pela excelência da sua decoração e por sua monumentalidade, que contrastava com a simplicidade do templo mortuário. De planta retangular, era todo rodeado por um muro de proteção e totalmente construído com pedra e revestido com o calcário de Tura. Frente à entrada, situada no centro da face sul, havia um pátio estreito, cuja parede mais externa era formada pela continuação de uma das paredes da calçada que ligava a pirâmide ao templo do vale. No lado externo dessa parede havia duas estelas de calcário decoradas com os nomes e títulos do rei, semelhantes em forma e tamanho àquelas existentes junto à pirâmide subsidiária. O edifício em si ocupava uma área de 1206 m² (46 metros e 60 centímetros de comprimento por 25 metros e 90 centímetros de largura) e estava dividido em três partes: um vestíbulo de entrada flanqueado de ambos os lados por duas câmaras, um pátio aberto e seis santuários ao fundo de um pórtico com pilares. Cenas em alto-relevo decoravam as paredes do vestíbulo de entrada, os pilares monolíticos e retangulares, as paredes laterais do pórtico e pelo menos dois dos santuários. Alguns representavam procissões de mulheres portadoras de oferendas trazendo produtos variados para o templo e outros mostravam o faraó realizando várias cerimônias rituais na presença dos deuses. Estátuas do rei, maiores que o tamanho natural, acomodavam-se em nichos das paredes do fundo de alguns dos santuários. Presas à parede, pareciam mais enormes altos-relevos do que estátuas propriamente ditas.

++Ivana - 11:57 PM

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Segunda-feira, Março 22, 2004


Acrescentando um novo contador...risos
ScriptBrasil

++Ivana - 1:02 AM

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Domingo, Março 21, 2004


OUTRAS PIRÂMIDES DE DEGRAUS

Outras quatro pequenas pirâmides em degraus são conhecidas, mas quase nada sabemos sobre elas. Situam-se nas localidades de Seila, Zawiyet el-Mayiti (ou Zawyet el-Amwat), Tukh e El-Kula. A ilustração ao lado é uma secção da pirâmide de Zawyet el-Amwat. Na pirâmide de El-Kula, a que melhor foi explorada entre elas, não foi encontrada nenhuma abertura para seus subterrâneos. Possui três degraus e seus cantos " e não suas faces como é habitual " estão orientadas na direção dos quatro pontos cardeais. De seu revestimento nada foi preservado. O âmago é formado de grosseira pedra calcária existente na região. A pirâmide de Tukh, construída de pedra não trabalhada, tem quatro degraus. Imediatamente abaixo de seu centro, à guisa de câmara funerária, há apenas um buraco toscamente cavado na rocha e sem nenhuma conexão com qualquer túnel que leve a uma entrada no exterior da pirâmide. É óbvio que o sepultamento só poderia ser efetivado antes que a primeira camada da estrutura da pirâmide começasse a ser assentada, mas a câmara foi encontrada totalmente vazia. Embora essas quatro pirâmides sejam geralmente atribuídas ao período da III dinastia, ainda pairam dúvidas sobre esse ponto e acredita-se que, provavelmente, não seriam pirâmides pertencentes a faraós.

++Ivana - 11:47 PM

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A PIRÂMIDE DE MEIDUM



O último rei da III dinastia, o faraó Huni, cujo reinado se estendeu aproximadamente entre 2599 e 1575 a.C., mandou construir uma pirâmide de degraus em Meidum, próximo da região do Faium. Inicialmente o monumento era composto por sete degraus. Posteriormente acrescentou-se mais um, tendo a pirâmide atingido a altura de 93,5 metros, o que corresponde a um prédio de 30 andares. Finalmente, mas já no reinado do primeiro faraó da IV dinastia, Snefru (c. 2575 a 2551 a.C.), e por razões que desconhecemos, os degraus foram preenchidos com pedras e aplicou-se um revestimento externo de pedra calcária polida em toda a estrutura, para transformá-la em uma pirâmide propriamente dita, a primeira que se tentou construir no Egito. Os lados do monumento, em sua base, medem aproximadamente 137 metros. A entrada para a pirâmide localiza-se na sua face norte. A partir de um ponto situado pouco acima daquilo que seria primitivamente o primeiro degrau, parte um corredor descendente que penetra inicialmente na pirâmide e depois no solo rochoso. A uma distância de cerca de 58 metros da entrada, o declive cessa e o corredor continua em nível, por sob a pirâmide, por mais nove metros. Nesse ponto projeta-se para cima um poço vertical que atinge o solo da câmara funerária. Essa foi erigida com pedra calcária, parcialmente no terreno rochoso e parcialmente no interior da pirâmide, e mede seis metros por dois metros e 60 centímetros. Seu teto é constituído por camadas de pedra parcialmente sobrepostas, formando uma abóbada escalonada, enquanto que o solo é pavimentado também com lajes de calcário. Em seu interior nenhum sarcófago foi encontrado.
Encostado no centro da face leste da pirâmide encontra-se o templo mortuário edificado com pedra calcária. Construçõo simples, ocupa área de cerca de 10 m² e sua altura máxima é de dois metros e 70 centímetros. É formado por apenas três compartimentos, sem qualquer decoração nas paredes. Em seu interior há um altar baixo de calcário, destinado à oferenda diária de comida e bebida para o rei morto. De cada lado do altar ergue-se uma alta laje monolítica de topo arredondado, montadas em bases retangulares e nas quais não existe qualquer inscrição, o que denota que o edifício não foi concluído.
Na pirâmide de Meidum não existe qualquer inscrição que indique quem a mandou construir. Por indícios, os arqueólogos atribuem a primeira fase de sua construção ao faraó Huni. Entretanto, os egípcios antigos atribuiam a obra a Snefru. No interior do templo mortuário foram encontrados grafitos nas paredes e um deles, datado da XVIII dinastia, diz o seguinte:
No 12º dia do quarto mês do verão, no 41º ano do reinado de Tutmósis III, o escriba As-Kheper-Re-senb, filho de Amenmesu (o escriba e ritualista do falecido rei Tutmósis I), veio ver o magnífico templo do rei Snefru. Achou-o como se o céu estivesse dentro dele e como se o Sol nele brilhasse. Então ele disse: "Possa o céu chover mirra fresca, possa o céu gotejar incenso sobre o telhado do templo do rei Snefru."
Um espaço aberto medindo cerca de 24 metros de comprimento separa o templo mortuário da muralha que cerca o conjunto. Nela, na direção aproximada da entrada do templo, existe uma abertura estreita que conduz a uma calçada, a qual liga a área da pirâmide com uma construção situada na orla do vale. Atualmente destruída, a calçada media 214 metros de comprimento e estava assentada em um leito de três metros de largura cavado no substrato rochoso da região. De cada lado da calçada erguia-se uma parede de pedra com dois metros de altura, cuja espessura diminuia de um metro e 50 centímetros na base para um metro e 20 centímetros no topo. A calçada não era coberta e em cada uma de suas paredes havia apenas uma porta localizada junto à muralha que cercava a pirâmide. Tais portas permitiam que se entrasse no corredor pelos lados leste ou oeste, sem que fosse necessário atingir o templo do vale para alcançar o recinto da pirâmide. Por outro lado, junto ao templo do vale o corredor da calçada era bloqueado por uma porta dupla, cujo objetivo, provavelmente, era o de impedir que pessoas não autorizadas pudessem prosseguir além daquele ponto em direção ao templo mortuário.

++Ivana - 11:42 PM

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A PIRÂMIDE EM DEGRAUS

Um obscuro faraó, também da III dinastia, de nome Khaba (c. 2603 a 2599 a.C.), deixou inacabada uma pirâmide que ficou conhecida como pirâmide em camadas, situada em Zawyet el-Aryan, localidade não muito distante de Gizé. Supõe-se que teria sido planejada para ter seis ou sete degraus que nunca foram completados. Em um ponto situado cerca de 12 metros do canto nordeste da pirâmide existe um lance descendente de escada que atinge um túnel cavado na rocha, o qual se estende até um ponto localizado na direção do centro da face norte do monumento. Aí o túnel se junta com a base de um poço de 19 metros de profundidade. Dessa junção partem, ainda, dois outros túneis. O primeiro é uma curta passagem que dá acesso a um longo corredor transversal que corre inicialmente de leste a oeste e prossegue em ambas as extremidades com braços curtos que se projetam na direção sul. Compartimentos, em número de 32, com quatro metros e 60 centímetros de comprimento, abrem-se em uma das paredes do corredor. O segundo túnel penetra na rocha em direção ao centro da pirâmide e, em sua extremidade, um lance de escada conduz à câmara funerária. Esta mede aproximadamente três metros e 65 centímetros por dois metros e 66 centímetros e sua altura é de três metros. Nenhum sarcófago ou equipamento funerário foi encontrado em seu interior, provavelmente porque a pirâmide não chegou a servir ao seu objetivo final. Existe ainda um último corredor que parte de um nível mais alto do poço na direção sul.


++Ivana - 11:30 PM

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A PIRÂMIDE ENTERRADA

O sucessor de Djoser, seu filho Sekhemkhet, que reinou aproximadamente entre 2611 e 2603 a.C., também mandou edificar uma pirâmide de degraus e um conjunto de construções semelhante e próximo ao de seu pai, mas o mesmo ficou inacabado. Aqui já foram usados grandes blocos de pedra, perdendo-se a semelhança com os tijolos de adobe. A área ocupada pelo complexo tinha aproximadamente o mesmo comprimento, mas apenas um terço da largura daquela ocupada pelo conjunto de Djoser. O projeto da pirâmide previa um total de sete degraus, alcançando altura de cerca de 70 metros. Hoje não sabemos exatamente até que ponto ela foi erguida, pois tudo o que restou foram algumas ruínas com altura de sete metros e, por ter sido encontrada engolfada em areia, recebeu dos escavadores, apropriadamente, o nome de pirâmide enterrada. Tampas de jarros feitas de barro encontradas nos subterrâneos da pirâmide e grafadas com o nome daquele faraó, permitiram aos estudiosos identificarem o proprietário do monumento.
Para construir a parte subterrânea da pirâmide os egípcios começaram por cavar na rocha um fosso aberto, em declive, a partir de um ponto bem afastado da face norte do monumento. Quando tal fosso já atingia a profundidade aproximada de 12 metros, a escavação prosseguiu em forma de túnel por mais nove metros. Nesse ponto o trabalho foi abandonado, provavelmente porque a rocha tornou-se impenetrável para os recursos da época. O fosso foi entulhado com pedras até a metade de sua profundidade e um segundo túnel foi cavado imediatamente acima do primeiro. O piso do novo túnel continuava seguindo a mesma declividade do fosso, mas seu teto plano permaneceu horizontal por uma distância de cerca de 12 metros. Nesse ponto foi cavado um arco na rocha com aproximadamente quatro metros de altura e 90 centímetros de espessura, formando assim a parede sul dessa seção do corredor. Dai em diante o teto acompanha a declividade do piso e pouco mais adiante sua continuidade é interrompida por um poço vertical, de seção quadrada com dois metros e 74 centímetros de lado, que atravessa a estrutura da pirâmide e atinge seu exterior. O objetivo desse poço era o de permitir a introdução de pesadas portas de pedra que bloqueariam o corredor após o funeral. Bem debaixo do poço, na parede oeste do corredor, existe um umbral que dá acesso a uma passagem em "L" (mostrada apenas na segunda ilustração) que, por sua vez, conduz a uma série de 132 armazéns subterrâneos. Eles estão dispostos, de forma desencontrada, em ambos os lados de um corredor em nível que corre inicialmente de leste a oeste e prossegue em ambas as extremidades com braços que se projetam na direção sul. A partir da entrada que dá acesso a tais armazéns, o corredor principal continua em declive até se tornar plano a poucos metros de distância da câmara funerária. Esta, cavada de forma rústica, é um compartimento medindo cerca de nove metros de comprimento por cinco de largura e sua altura também é de cinco metros. Mais ou menos no meio de suas paredes leste e oeste existem aberturas que vão do chão ao teto e que se aprofundam por cerca de dois metros na rocha e cuja finalidade não se conhece. Na parede sul um limiar leva a uma galeria sem saída e existem outras três semelhantes nas proximidades as quais, provavelmente, estavam destinadas a receber em suas paredes decoração em relevo, representando o faraó oficiando cerimônias religiosas. Os arqueólogos encontraram o corredor principal selado por espessas paredes de pedra em três pontos: na entrada, debaixo do poço vertical e na entrada da câmara funerária. Encontraram, também, uma coleção de jóias de ouro, que reconheceram como sendo certamente fabricadas no decorrer da III dinastia, embaixo do poço vertical. Na câmara funerária, por sua vez, havia um sarcófago fechado sobre o qual tinha sido colocada uma coroa de flores. Tal sarcófago foi escavado em um único bloco retangular de alabastro e não possuia uma tampa convencional na parte superior. A abertura situava-se em uma de suas extremidades e era fechada por um painel corrediço que podia ser baixado e suspenso por meio de uma corda que passava através de uma chanfradura em forma de "U" no topo do painel. Tanto nas laterais quanto em sua base, o painel possuia saliências que se encaixavam em entalhes abertos nos lados e na base da abertura do sarcófago. Quando encontrado, havia uma espécie de argamassa nos encaixes do painel com o sarcófago, o que parecia indicar que a tampa não havia sido movida desde o momento em que fora colocada em seu lugar durante o funeral. Entretanto, o sarcófago estava totalmente vazio. Duas possíveis explicações existem para o fato: ou a múmia e todos os seus ricos pertences foram roubados com a conivência dos responsáveis pelo funeral, ou essa pirâmide era apenas um cenotáfio. A muralha que cercava o conjunto funerário foi encontrada apenas parcialmente intacta e é formada por um núcleo espesso de rochas revestidas por pedra calcária. Assemelha-se muito à do faraó Djoser, apresentando também bastiões retangulares de tamanho uniforme e outros de maiores dimensões. A exemplo de seu pai, Sekhemkhet também construiu uma mastaba de blocos de pedra no lado sul de sua pirâmide. Media 32 metros de comprimento por 16 de largura. Sob a extremidade oeste da construção havia um poço que atingia a profundidade de cerca de 29 metros, onde desembocava no teto de uma passagem em nível que dava acesso à câmara funerária. Após o sepultamento o poço foi obstruído com areia e pedras. Apesar da câmara ter sido saqueada em tempos antigos, arqueólogos ainda encontraram nela fragmentos de folhas de ouro gravadas em relevo com um padrão de canas de junco, alguns vasos de pedra, vasilhames de barro, ossos de animais e um esqueleto de criança em um ataúde de madeira.

++Ivana - 4:49 AM

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A PIRÂMIDE DE DJOSER



Muito mais do que uma simples pirâmide, o túmulo do faraó Djoser formava um complexo funerário. O material básico para sua construção foram pequenos blocos de pedra calcária, imitando tijolos de adobe. A pedra de melhor qualidade, o excelente calcário branco proveniente das pedreiras de Tura, foi usado no revestimento, fazendo com que o monumento resplandecesse ao sol. Embora em túmulos de épocas anteriores já tivesse sido usada a pedra como elemento arquitetônico subsidiário, nenhuma construção havia anteriormente sido erigida totalmente em pedra. Nunca antes havia sido demonstrada uma tão grande habilidade e um tão completo domínio sobre o uso daquele material. A pirâmide de degraus do faraó Djoser é, certamente, a mais antiga estrutura de pedra talhada erguida pelo homem em todo o mundo.




Todo o conjunto de vários pátios e construções ligados à pirâmide ocupava uma área de 545 por 277 metros, ou seja, 150965 m² e estava cercado por um grande muro de pedra. Essa muralha maciça, com mais de nove metros de altura perfazia um perímetro de mais de 1600 metros. Em sua parte externa, a cada quatro metros, era dotada de bastiões retangulares por toda a sua volta, todos de tamanho uniforme, com exceção de 14 que eram mais largos. Em cada um desses bastiões mais largos, espaçados irregularmente ao longo da muralha, foi esculpida uma imitação de uma porta de folha dupla fechada, dando ao bastião a aparência de um portão em forma de torre. Na realidade havia uma única entrada para todo o complexo, situada junto ao canto sul da parede leste. Ali, duas torres franqueavam uma estreita passagem que conduzia a um corredor de entrada ladeado por colunas. No interior de tais torres foi esculpida uma imitação de uma porta de folha dupla aberta.
A pirâmide em si tem seis degraus e atinge a altura de cerca de 60 metros, equivalente a de um prédio de 20 andares. Sua base é retangular com 125 metros na direção leste/oeste e 110 metros na direção norte/sul, ocupando uma área de 13750 m². Foi detectado pelos escavadores que o monumento sofreu alterações no seu planejamento durante a construção e algumas delas são claramente visíveis. Ficou evidente que o núcleo do monumento é uma estrutura de pedra em forma de caixa quadrada, com 63 metros de lado e oito de altura. Em seguida essa base foi ampliada com mais quatro metros de cada lado. Depois houve um acréscimo de cerca de oito metros e 53 centímetros, mas apenas na face leste da base (na ilustração, acima). Finalmente, os construtores ampliaram cada um dos lados em mais três metros, aproximadamente, e transformaram a base no primeiro estágio de uma pirâmide de quatro degraus. Nessa etapa a pirâmide atingiu a altura de 43 metros. Numa última fase o monumento foi ampliado nas direções norte e oeste e a altura aumentada com o acréscimo de mais dois degraus, atingindo os 60 metros.
Por baixo da pirâmide há uma câmara mortuária e um conjunto de passagens e pequenas câmaras usadas para armazenar o equipamento funerário e para o sepultamento dos membros da família real. De tais galerias subterrâneas foram desenterrados, por exemplo, milhares de belíssimos pratos, travessas e vasos de alabastro, xisto, cristal de quartzo e de diversas outras pedras. No interior da maioria de tais vasilhames não foi encontrada comida ou qualquer outra substância. Ao que parece, bastava a presença do recipiente e a recitação de uma fórmula mágica pelos sacerdotes para que se assegurasse ao rei um suprimento constante daquilo que eventualmente deveria estar contido nos vasos. A câmara mortuária está centralizada no fundo de um poço de sete metros de lado e que atinge a profundidade de 28 metros. A câmara em si, um compartimento de aproximadamente dois metros e 97 centímetros por um metro e 67 centímetros, foi construída inteiramente com o granito rosa de Assuã. A altura da câmara é de um metro e 67 centímetros e em seu teto foi feita uma abertura para permitir a descida do corpo do faraó durante o funeral. Após a colocação do corpo em seu lugar, tal abertura foi obstruída com um tampão de granito de quase dois metros de comprimento e pesando cerca de três toneladas e todo o restante do poço foi entulhado com pedras. No interior da câmara foi encontrado um cadáver, mas não há prova de que o corpo tenha pertencido ao faraó Djoser.
No lado leste da pirâmide foram cavados no solo onze poços até a profundidade de cerca de 32 metros. Do fundo de cada poço sai um corredor que passa por baixo da estrutura da pirâmide. No fim de um desses corredores os arqueólogos encontraram dois ataúdes de alabastro, um dos quais continha a múmia de um menino. Era forrado com seis camadas de madeira, cada uma das quais com espessura de menos de um quarto de polegada. Tais camadas estavam unidas por meio de pequenas cavilhas de madeira e alguns vestígios sugerem que originalmente eram revestidas de ouro. Em alguns dos demais corredores foram achados pedestais de pedra calcária destinados a ataúdes similares. Torna-se óbvio que os poços e corredores eram túmulos, muito provavelmente destinados a membros da família real.
O templo mortuário, destinado à prática do culto funerário do rei, era uma grande construção retangular erigida junto à face norte do degrau inferior da pirâmide e nele se penetrava através de um umbral aberto na sua parede leste. Essa entrada não tinha porta, mas na parede de pedra, ao lado direito do umbral, foi esculpida a imitação de uma porta aberta, na medida exata da abertura. Passada a entrada um longo corredor levava a dois pátios ao ar livre, de um dos quais uma escada descia em direção aos subterrâneos da pirâmide. Em cada pátio havia três passagens que abriam para uma larga galeria. Outros dois cômodos a oeste dos pátios, cada um com um tanque de pedra no piso, e um santuário completavam as dependências do templo.




O serdab, situado fora do templo mas perto de sua entrada, era construído todo em pedra calcária. Seu interior abrigava uma estátua (foto acima), de um metro e 40 centímetros de altura, substituta para o corpo do rei na recepção das oferendas. Esculpida também em pedra calcária, representa o faraó Djoser sentado em uma cadeira. O rei está vestido com um longo manto que deixa a descoberto apenas suas mãos, pés e a parte superior dos ombros.
Na cabeça há uma longa cabeleira coberta por um tipo de lenço de linho. A pele do faraó estava pintada em amarelo e o cabelo e a barba em preto, mas a maior parte da pintura desapareceu. O rosto foi mutilado porque dele foram arrancados os olhos incrustados. Totalmente fechado, o serdab tinha apenas dois orifícios em sua parede frontal, diante da face da estátua, que permitiam não só que a fumaça do incenso atingisse o faraó, mas também que ele olhasse para fora.
No lado sul da muralha que envolve todo o complexo há uma grande mastaba sob a qual está duplicado um conjunto de câmaras que reproduzem aquelas diretamente conectadas com a câmara mortuária sob a pirâmide. As paredes de alguns dos aposentos sob a mastaba e a pirâmide estão decorados com baixos-relevos mostrando o faraó Djoser realizando várias cerimônias religiosas. O recinto da pirâmide em degraus continha também um certo número de edificações destinadas à celebração das cerimônias de jubileu do rei morto na sua vida de além-túmulo. Outras construções existentes no local são de propósito desconhecido. Todo o complexo visava fornecer ao rei morto um ambiente no qual ele pudesse cumprir sua função de monarca após a morte e é provável que contivesse em seu planejamento muitos dos aspectos característicos do palácio real em Mênfis.
Nenhuma outra pirâmide conhecida foi rodeada por tantas e tão imponentes construções destinadas a suprir as necessidades do rei morto no além-túmulo. Para os egípcios contemporâneos da sua construção, ela deve ter representado um enorme símbolo do poder eterno do seu divino rei. A concepção arquitetônica do complexo da pirâmide de degraus permaneceu como um marco e a importância do monumento foi reconhecida pelos próprios antigos egípcios. Isso é demonstrado por inscrições bem posteriores rabiscadas por visitantes em alguns dos monumentos do complexo funerário, mais de mil anos após a sua construção, e pelo indubitável interesse arqueológico que o monumento despertou no decorrer da XXVI dinastia (664 a 525 a.C.).

++Ivana - 4:44 AM

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Sexta-feira, Março 19, 2004


AS PIRÂMIDES DE DEGRAUS

Inovando totalmente em matéria de sepulcros, o faraó Djoser, da III dinastia, cujo reinado se estendeu aproximadamente entre 2630 e 2611 a.C., encarregou seu primeiro ministro e arquiteto Imhotep de construir um túmulo totalmente em pedra, material que até aquela época era usado apenas em partes isoladas das construções. Superpondo seis mastabas progressivamente menores, o genial arquiteto ergueu uma pirâmide de degraus. O local escolhido foi uma extensão de terras elevadas em Saqqara, a sobranceiro da cidade de Mênfis, próximo do grande cemitério de mastabas que havia sido usado no decorrer das duas primeiras dinastias. Posteriormente, outros faraós da mesma dinastia também ergueram pirâmides em degraus, embora menos majestosas.

++Ivana - 2:57 AM

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Segunda-feira, Março 15, 2004


AS MASTABAS

Até o final da II dinastia os túmulos dos soberanos e dos nobres egípcios eram constituídos de uma câmara funerária cavada profundamente no solo, sobre a qual se erigia uma estrutura baixa, de paredes verticais, de teto achatado, com base retangular, construída com tijolos de lama cozidos ao sol, que ficaram conhecidas com o nome de mastabas. Tais estruturas, no passar dos anos, evoluíram: o material construtivo passou a ser a pedra; as paredes passaram a ser ligeiramente inclinadas, formando uma pirâmide truncada; as dimensões cresceram, inclusive em altura, com o acréscimo de vários andares em degraus, até atingirem a forma piramidal.
O nome mastaba foi dado a estes sepulcros em tempos modernos. A palavra é de origem árabe e significa banco. Isso porque, quando rodeadas por dunas de areia quase até a sua altura total, fazem lembrar os bancos baixos construídos na parte externa das casas egípcias atuais e nos quais os moradores sentam-se e tomam café com os amigos.
Tais monumentos eram orientados, ou seja, as suas quatro faces estavam voltadas, respectivamente, para o norte, leste, sul e oeste. A partir da cobertura da mastaba um poço em ângulo reto permitia descer através da construção até o subsolo rochoso. Aí era escavada a câmara funerária, na qual acomodava-se o sarcófago, que a ela descia por meio do poço. Este, após o funeral, era obstruído com pedras para preservar a integridade do sepulcro e sua entrada era disfarçada para que se confundisse com o resto do teto.




Na face oriental da mastaba, nos ensina o historiador Maurice Crouzet, abria-se um primeiro compartimento, a capela do culto dirigido ao defunto; exatamente acima do sarcófago, o seu mobiliário comportava, antes de tudo, a mesa para as oferendas, colocada ao pé de uma estela. Atrás desta estela, outro cômodo penetrava na mastaba: era o "corredor" (serdab em árabe), onde eram colocadas as estátuas do morto. A estela marcava, então, o limite de dois mundos, o dos vivos e o dos mortos; não se comunicavam entre si, salvo por uma estreita fenda da altura de um homem. A estela era esculpida, de maneira que desse a impressão de uma porta " donde o seu nome de estela falsa-porta " e, por vezes, na sua moldura, destacava-se uma estátua: era o morto, que voltava para o meio dos vivos. Ou, então, havia uma trapeira, que se abria por cima das folhas da porta e por onde despontava um busto: por ela estava o morto espiando o visitante.
Sepultura, depósito de estátuas, capela: " prossegue o autor " eis as três partes essenciais constitutivas de um túmulo. As mastabas dos ricos tornavam-se mais complexas pela existência de compartimentos anexos, mais ou menos numerosos. A complicação era ainda maior, naturalmente, nas tumbas dos reis.




As capelas, nas quais os parentes dos mortos depositavam suas oferendas, tinham sempre paredes revestidas de baixos-relevos e pintadas com cenas da vida cotidiana e dos ritos funerários. Ora o defunto aparecia sentado à mesa saboreando as oferendas, como nessa cena da mastaba de Hezyre, chefe dos escribas reais na III dinastia; ora lá estava ele com sua mulher, os filhos, os criados, o boi, o burro e todos os seus outros bens. As crenças funerárias faziam supor que tais cenas lhe permitiriam usufruir após a morte tudo o que tinha possuído em vida. Não faltavam também inscrições com fórmulas religiosas e mágicas que auxiliariam o defunto em sua longa viagem até o mundo dos mortos. Tudo isso são para nós importantes fontes de conhecimento dos hábitos dos antigos egípcios. Em determinadas épocas tais capelas, muitas vezes de grandes dimensões, passaram a ser construídas em pedra. No serdab, compartimento quase sempre muito simples que não se comunicava com o exterior, eram colocadas não apenas estátuas do morto, mas também de seus familiares, confeccionadas em madeira pintada, em pedra calcária e, mais raramente, em granito. Também aí se colocavam, às vezes, os objetos necessários à existência material do ka.




A região de Saqqara é a que apresenta a maior concentração de mastabas, construídas principalmente no decorrer das terceira, quinta e sexta dinastias, mas algumas também podem ser encontradas em Dahshur e outras em Gizé. Nesta última localidade os faraós da IV dinastia mandaram construir grandes mastabas ao redor de suas pirâmides (foto acima), destinadas aos oficiais de sua confiança, geralmente seus parentes próximos.
Uma das mais antigas mastabas encontradas pelos arqueólogos é da época de Aha, segundo faraó da I dinastia. Seu desenho é bastante simples. Abaixo do nível do solo existe uma cova rasa retangular coberta por madeirame e dividida por paredes transversais em cinco compartimentos separados. Supõe-se que o compartimento central fosse destinado a abrigar o ataúde de madeira contendo o corpo, enquanto que os bens pessoais do morto seriam colocados nas câmaras adjacentes. Acima desses compartimentos, ao nível do solo e abrangendo uma área consideravelmente maior, havia uma estrutura de tijolo cujo interior estava dividido em 27 cubículos destinados ao armazenamento de jarras de vinho, vasilhames com alimentos, instrumentos para caça e outros objetos do cotidiano. As paredes externas da estrutura inclinavam-se para dentro no sentido da base para o topo e eram formadas por painéis alternados de saliências e reentrâncias. Toda a construção era rodeada por dois muros paralelos de tijolo e tanto estes quanto aquela eram decorados com padrões geométricos coloridos pintados sobre fundo branco. A uma distância de mais ou menos 36 metros do muro norte da mastaba havia no solo uma cavidade em forma de barco revestida de tijolos. Servia para abrigar uma embarcação de madeira destinada ao uso do defunto no além-túmulo.
Mastabas desse tipo " diz I.E.S.Edwards " eram quase certamente cópias das casas dos nobres e dos palácios reais, demonstrando assim que o túmulo era encarado como o lugar onde se acreditava que o morto habitaria. Sem dúvida a disposição dos cubículos na estrutura foi adaptada para ajustar-se às necessidades particulares da tumba, mas eles devem ter representado os vários cômodos da residência. Corredores, que teriam enfraquecido a construção, eram desnecessários, pois pensava-se que o espírito do morto podia passar livremente através de barreiras materiais.
Criados que haviam servido ao dono do túmulo eram, às vezes, enterrados em pequenas mastabas dispostas em fileiras fora dos muros que rodeavam a tumba principal, na crença de que pudessem continuar a servir a seus senhores após a morte. Eram sepultados ao mesmo tempo que seus amos, mas não vivos como se poderia supor. Muito provavelmente a morte era provocada por ingestão de veneno, aceito voluntariamente como parte dos deveres para com o patrão.




No decorrer da II e da III dinastias, a mastaba transformou-se numa massa sólida de cascalho coberta por um revestimento externo de tijolos. A capela do culto permaneceu algumas vezes dentro da estrutura e outras do lado de fora. Os compartimentos que ficavam anteriormente acima do solo, acabaram por ser transferidos para o subsolo, provavelmente para dificultar a ação dos assaltantes. O subsolo passou a conter frequentemente uma espécie de vestíbulo central, ladeado por câmaras destinadas, em sua maioria, a armazenar objetos que antes eram colocados ao nivel do solo. O acesso ao vestíbulo era feito através de uma porta aberta na base de um profundo poço vertical que se iniciava no nível do solo. Um lance de escadas ou uma rampa partia do lado norte da mastaba e atingia tal poço em um ponto vários metros acima da sua base. Era por essa rampa ou escada que o corpo e alguns dos pertences pessoais do morto eram transportados para a tumba. Depois que tudo havia sido colocado em seus lugares, uma porta levadiça, constituída por uma pesada laje de pedra e que ficava suspensa por meio de suportes, era baixada, encaixando-se em duas canaletas existentes nas laterais da abertura. O poço e as escadas ou rampa eram então preenchidos com areia ou cascalho e cobertos com uma camada externa de tijolos.
Arqueólogos encontraram em Saqqara, a uma profundidade de seis metros e 40 centímetros, uma vasta tumba subterrânea com cerca de 118 metros de comprimento. É formada por mais de 70 câmaras cavadas na rocha de cada lado de um corredor central e deve ter pertencido a um dos dois primeiros faraós da II dinastia: Hetepsekhemwy ou Reneb. Também encontraram um túmulo de estrutura semelhante pertencente a Ninetjer, terceiro faraó da II dinastia. O último faraó desta dinastia, Khasekhemwy, construiu sua mastaba em Abido e embora tenha projeto semelhante àquelas de Saqqara, tem apenas 68 metros de comprimento. Aproximadamente no centro de seu eixo principal existe uma câmara medindo cerca de 3 por 5 metros. O túmulo de Peribsen, penúltimo rei da II dinastia, foi erguido também em Abido e era formado por uma câmara retangular de cerca de 3 por 7 metros, rodeada por um corredor em cujo lado externo existia uma série de pequenos compartimentos. Essas estruturas de Abido são feitas com tijolos de barro, com exceção da câmara central de Khasekhemwy, construída inteiramente de pedra calcária. Tanto em Saqqara quanto em Abido, nada restou da parte das estruturas que ficava acima do solo.
No decorrer da IV dinastia, muitas mastabas passaram a ser construídas de pedra e não mais de tijolos. Mesmo nestas últimas, a capela do culto e as câmaras subterrâneas eram frequentemente revestidas com pedras. Em seus subterrâneos passaram a contar com uma única câmara dotada de um profundo recuo em uma de suas paredes, destinado a receber o ataúde feito de pedra ou madeira. Dessa época é o túmulo do faraó Shepseskaf. Filho e sucessor de Miquerinos, reinou, aproximadamente, entre 2472 e 2467 a.C. e embora tenha completado o complexo piramidal que abrigava o corpo de seu pai, não construiu uma pirâmide para si próprio. Sua sepultura situa-se em Saqqara e ele a denominou de Pirâmide Purificada, sendo que hoje é conhecida pelo nome de Mastabet el-Faraun. Tem o formato de um enorme sarcófago retangular assentado sobre uma plataforma baixa, mede 100 metros de comprimento por 73 metros e 50 centímetros de largura e 18 metros de altura, suas paredes frontal e traseira são inclinadas para dentro num ângulo de 65° e nas laterais elas se elevam verticalmente acima do teto abobadado. Construída com a pedra comum encontrada naquele local, era revestida com pedra calcária proveniente de Tura e apresentava uma borda de granito. A leste da mastaba há um pequeno templo mortuário e dele parte uma longa calçada com paredes de tijolo cru que leva ao templo do vale.
Existe uma outra mastaba semelhante à de Shepseskaf que pertenceu a uma rainha de nome Khentkaus, provavelmente sua esposa e mãe dos primeiros faraós da V dinastia, e que foi erguida num espaço aberto entre as calçadas de Kéfren e Miquerinos. Ela também imita um grande sarcófago montado em um pódio quadrado e alto. Seu templo mortuário foi cavado na rocha que compõe o próprio pódio e é formado por três recintos apenas. A calçada toma inicialmente o rumo leste e depois forma um ângulo reto desviando-se para o sul, terminando no templo do vale.
Durante a V e VI dinastias, a parte das mastabas que ficava acima do solo passou a ser enriquecida com várias câmaras e vestíbulos com colunas, sendo que todas as salas tinham suas paredes cobertas por relevos. Uma famosa mastaba da VI dinastia " nos conta I.E.S.Edwards " continha mais de 30 câmaras assim decoradas. Entre as cenas mais comumente esculpidas nas paredes estavam aquelas que mostravam criados trazendo oferendas de comida e bebida para seus amos mortos, cenas de colheita, processos de manufatura, o dono da tumba inspecionando suas propriedades ou caçando, e uma larga variedade de outros episódios intimamente associados com suas ocupações durante a vida.

++Ivana - 11:40 PM

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GENERALIDADES

Durante o período de aproximadamente um milênio (entre 2630 e 1640 a.C.) os egípcios construíram suas famosas pirâmides, dentre as quais três delas assombram o mundo até hoje. A mais antiga que se conhece data da III dinastia e era constituída por mastabas sobrepostas formando degraus. O idealizador deste tipo de construção foi o sábio Imhotep, proeminente figura do reinado do faraó Djoser. Essa é provavelmente a única pirâmide desse tipo que foi concluída. No início da IV dinastia as pirâmides começaram a ser construídas com suas paredes inclinadas e não mais em forma de degraus, sendo que as últimas datam da XII dinastia.
O período áureo da construção das pirâmides estendeu-se entre a III e a VI dinastias (de 2630 a 2150 a.C.). Nessa época quase todos os faraós e muitas de suas rainhas foram enterrados em túmulos com a forma de pirâmides. Em dinastias posteriores tais monumentos também foram construídos, mas perderam muito de seu explendor arquitetônico e até de seu significado religioso. A maior parte das pirâmides dessa época áurea foi construída na orla do deserto a oeste do Nilo, nas proximidades de Mênfis, entre a localidade de Meidum ao sul e a de Abu Rawash ao norte.
Em egípcio esse tipo de túmulo era chamado de mer, palavra que se supõe não ter tido qualquer significado descritivo. A palavra pirâmide, por sua vez, era grafada pi-mar. Existe ainda um termo geométrico - per-em-us - usado em um tratado matemático egípcio para indicar a altura de uma pirâmide. Foram os gregos, entretanto, que chamaram tais monumentos de pyramis (plural pyramides), o que resultou na palavra pirâmide em português. Ao que tudo indica a palavra grega não deriva de nenhum vocábulo egípcio, mas trata-se apenas do nome que os gregos davam a uma espécie de doce feito com farinha de trigo. Acreditam os estudiosos que os antigos gregos associaram humoristicamente as pirâmides a essa guloseima, provavelmente porque quando vistos à distância os monumentos lhes pareciam enormes bolos.




Do ponto de vista construtivo, a pirâmide foi uma evolução do tipo de túmulo conhecido como mastaba. De fato, a mais antiga que se conhece nada mais é do que a superposição de várias mastabas de dimensões progressivamente menores. Erguidas com rigor geométrico, as pirâmides estavam sempre perfeitamente orientadas em conformidade com os pontos cardeais e, sem dúvida, edificá-las exigiu elevados conhecimentos matemáticos e astronômicos. As três maiores, as de Gizé, foram orientadas com tanta precisão que se pode ver a estrela polar de qualquer ponto da estreita entrada. Atualmente as pirâmides só nos transmitem um pálido reflexo do que foram, pois nos mostram apenas a sua estrutura interna formada por imensos blocos de pedra, talhados e sobrepostos em degraus. Originalmente, porém, tais blocos estavam cobertos por um revestimento uniforme de pedra calcária e, assim, cada face formava uma superfície plana e polida. Na pirâmide de Kéfren ainda hoje chama logo a atenção a permanência em seu topo de boa parte desse revestimento de pedras calcárias. De modo geral elas comportavam em seu interior uma câmara mortuária contendo um sarcófago de pedra dura. Ao redor delas estendia-se uma ampla superfície coberta de lajes e delimitada por um muro.
Elas não eram, entretanto, construções isoladas, mas sim faziam parte de um conjunto de edificações que as acompanhavam, principalmente templos e capelas, além de túmulos de familiares e dignatários do faraó. Na maioria dos casos o complexo piramidal era formado por uma pirâmide principal, uma ou mais pirâmides secundárias, um templo situado junto ao vale do Nilo, na orla da área cultivável, e outro localizado junto à pirâmide e, ainda, uma calçada, também chamada de avenida, que unia os dois templos, separados entre si, às vezes, por distâncias superiores a um quilômetro. Nas proximidades de todo esse conjunto e ocupando grandes extensões, as mastabas dos membros da família reinante e dos cortesãos, simétricamente dispostas, formavam grandes cemitérios.
É comum encontrar-se ao lado das principais pirâmides, uma ou mais pirâmides menores chamadas subsidiárias ou secundárias. Supõem os arqueólogos que algumas se destinavam ao sepultamento das raínhas. Outras, entretanto, provavelmente não teriam tal finalidade, mas sim visavam sepultar as vísceras dos faraós, as quais eram retiradas dos corpos durante o processo de mumificação e guardadas nos vasos canopos.
Para os egípcios a construção de suntuosos templos funerários e túmulos enormes tinha por objetivo a glorificação das divindades e do próprio faraó que, ao morrer, também se tornava um deus. Nos templos erguidos junto às pirâmides, geralmente contíguos à face leste do monumento e a elas unidos através de uma galeria como essa do conjunto funerário de Kéfren que se vê ao lado, eram celebrados os cultos fúnebres em homenagem ao rei morto. Divididos em duas partes, os templos possuíam um setor público e outro privado. O primeiro recebia cortejos e fiéis que vinham de todo o país trazendo suas oferendas. No segundo setor apenas o clero e os membros da família real podiam penetrar. Durante todo o Império Antigo esses templos, embora arquitetonicamente diferentes uns dos outros, sempre apresentavam os mesmos componentes: um vestíbulo de entrada, um pátio aberto, cinco nichos para estátuas, armazéns e um santuário. Baseados nos fragmentos de estatuária encontrados, os arqueólogos calcularam que quase 500 estátuas adornavam origi-nariamente os complexos das três grandes pirâmides em Gizé.
Os santuários, território exclusivo dos sacerdotes, geralmente apresentavam uma falsa-porta em sua parede oeste com um altar baixo sob ela. As oferendas eram diariamente postas sobre o altar pelos sacerdotes. Entendia-se que o que tinha valor para o morto era apenas o espírito da substância oferecida e não a sua matéria propriamente dita e, portanto, ninguém esperava que os alimentos fossem consumidos ou desaparecessem, sendo natural que ficassem intocados. Podiam, posteriormente, ser recolhidos e partilhados no seio da comunidade sacerdotal que deles fazia uso.
As calçadas eram caminhos pavimentados e ladeados por muros altos e espessos, de tijolos ou pedras, às vezes cobertos com lajes de pedra, que ligavam o templo do vale ao templo situado junto à pirâmide principal. Em alguns casos as paredes internas desses corredores estavam decoradas com cenas esculpidas em baixo relevo e podia haver, também, estátuas do faraó postadas a intervalos regulares em nichos existentes nestas mesmas paredes.
Os templos situados junto ao Nilo - os templos do vale - destinavam-se a receber as procissões fluviais e, para isso, geralmente dispunham de ancoradouros para a atracação de barcos e ligavam-se ao rio através de um canal. Isso permitia que a procissão funeral atingisse o complexo piramidal sem a necessidade de uma longa jornada por via terrestre. No interior dos templos, capelas de calcário abrigavam santuários.
Após o sepultamento do faraó sua pirâmide era lacrada para sempre. Ao comum dos mortais era proibido entrar no recinto que circundava o monumento, bem como na parte mais íntima do templo funerário. Só os sacerdotes responsáveis pelos ritos estavam autorizados a ali penetrar.

++Ivana - 12:19 AM

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Quarta-feira, Março 10, 2004


Piramides



"Ao ouvirmos a palavra pirâmide, logo nos vem à mente a imagem das três enormes construções localizadas no planalto de Gizé, as quais formam, provavelmente, o mais decantado grupo de monumentos em todo o mundo. Entretanto, os arqueólogos já encontraram mais de 80 pirâmides espalhadas por todo o Egito. Qual era sua finalidade e, principalmente, como foram construídas, são duas das mais intrigantes perguntas de toda a história da humanidade e que, talvez, nunca venham a ser respondidas ou, por outro lado, talvez venham a ter centenas de respostas conflitantes."


Fonte: O Fascinante Egito

++Ivana - 9:44 PM

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"É próprio da natureza humana não apenas sobreviver e se reproduzir, como também buscar explicações para tudo.
Quando nos deparamos com mistérios (fenômenos que não conseguimos entender), usamos símbolos para representá-los.
Quer vivamos em sociedade dominadas pelo comércio quer em comunidades relativamente intocadas, estamos rodeados por imagens sinais, imagens e idéias, em geral altamente simbólicas."

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